FMI vê recuperação econômica gradual e sujeita a riscos nos EUA

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Foto: Casa Branca

São Paulo – A recuperação da economia norte-americano da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus deve ser gradual e sujeita a riscos e incertezas significativas, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), que enfatiza a necessidade de nova rodada de estímulos e também vê mais espaço para o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) agir.

“Em meio ao ressurgimento dos casos de covid-19, uma profunda recessão econômica e aumento do desemprego, os diretores enfatizaram a necessidade de aprofundar os esforços de saúde pública, continuando a usar todas as ferramentas políticas para apoiar a recuperação e mitigar os efeitos marcantes da pandemia na economia dos Estados Unidos e a sociedade”, diz o FMI em seu relatório conhecido como artigo 4.

Embora tenha saudado as medidas adotadas para apoiar a economia na crise, o Fundo concordou que um pacote fiscal adicional considerável seria necessário para fortalecer a preparação para a saúde e impulsionar suficientemente a demanda, inclusive por meio de maiores transferências federais para governos estaduais e locais.

“Os diretores reconheceram que, uma vez que a pandemia seja totalmente contida, o ajuste fiscal de médio prazo será necessário para colocar a dívida em uma trajetória de queda”, afirma no documento.

O FMI apreciou a resposta decisiva do Federal Reserve no estágio inicial da crise que, segundo o órgão, ajudou a manter o bom funcionamento dos mercados financeiros, aliviar as condições financeiras e aliviar tensões nos mercados globais de financiamento em dólar.

“Com a probabilidade de que a inflação e o emprego permaneçam abaixo das metas por um longo período, há espaço para mais ações, inclusive por meio de compras de ativos mais amplas e orientações futuras mais explícitas, ao mesmo tempo monitorando de perto os riscos potenciais para a estabilidade financeira”, diz.

O Fundo incentiva as autoridades norte-americanas a reverterem as restrições ao comércio e a trabalhar de forma construtiva com os países parceiros para resolver as tensões comerciais e modernizar o sistema comercial multilateral.

“Muitos especialistas [do FMI] observaram que a introdução planejada de direitos de compensação baseados em moeda pode aumentar a incerteza política, ter repercussões negativas e minar o comércio multilateral e os sistemas monetários internacionais”, acrescenta o documento.

O FMI observou ainda que o sistema financeiro dos Estados Unidos tem sido resiliente em face do recente choque econômico e financeiro e pediu vigilância contínua, dados os riscos da recessão, o aumento da alavancagem corporativa, uma migração contínua de atividades para instituições financeiras não bancárias e complexas interligações entre instituições e mercados.

“Os diretores enfatizaram a necessidade de preservar os colchões de capital dos bancos e o rigor dos requisitos prudenciais, aprimorar as ferramentas macroprudenciais, intensificar a preparação para crises e resolver as lacunas de dados”, conclui o relatório.

O FMI espera que a economia norte-americana vai encolher 6,6% este ano em relação ao ano passado e vai se recuperar em 2021, com crescimento de 3,9% na mesma base de comparação. Em 2019 houve expansão de 2,3%. Já a taxa de desemprego deve encerrar 2020 em 9,7% e cair para 7,4% em 2021. Em 2019, o desemprego ficou em 3,5%.