FMI eleva previsão de queda do PIB mundial em 2020

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A diretor-geral do FMI, Kristalina Georgieva. (Foto: Joshua Roberts/FMI)

São Paulo – A pandemia do novo coronavírus terá um impacto mais negativo na economia mundial no primeiro semestre de 2020 do que o previsto, e a recuperação deve ser mais gradual do que o esperado anteriormente. Por isso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) espera uma contração global de 4,9% para este ano.

Para 2021, o Fundo projeta crescimento de 5,4% ante expansão de 5,8% projetada no relatório anterior. Em 2019, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial cresceu 2,9%.

Assim como nas projeções de abril, o FMI alerta que há um grau de incerteza acima do normal em torno das novas previsões, que tem como cenário base suposições importantes sobre as consequências da pandemia.

Nas economias com taxas de infecção em declínio, o caminho mais lento de recuperação na previsão atualizada reflete, segundo o Fundo, um distanciamento social persistente no segundo semestre de 2020; maior cicatrização do impacto maior que o esperado à atividade econômica durante o bloqueio no primeiro e no segundo trimestres de 2020; e um impacto na produtividade à medida que as empresas aumentam as práticas de segurança e higiene no trabalho.

Para as economias que lutam para controlar as taxas de infecção, um bloqueio mais longo infligirá um custo adicional à economia, de acordo com o relatório. Além disso, a previsão pressupõe que as condições financeiras que diminuíram após as projeções de abril – permanecerão amplamente nos níveis atuais.

“Todos os países – incluindo aqueles que aparentemente passaram dos picos de infecções – devem garantir que seus sistemas de saúde tenham recursos adequados. A comunidade internacional deve intensificar seu apoio a iniciativas nacionais, inclusive por meio de assistência financeira a países com capacidade limitada de assistência à saúde e canalização de financiamento para a produção de vacinas à medida que os estudos avançam, para que doses adequadas e acessíveis sejam rapidamente disponibilizadas a todos os países”, diz o FMI.

Nos casos em que são necessários bloqueios, o Fundo recomenda que a política econômica continue atenuando as perdas de renda das famílias com medidas consideráveis e bem direcionadas, além de fornecer apoio às empresas que sofrem as consequências de restrições impostas à atividade.

“Onde as economias estão reabrindo, o apoio direcionado deve ser gradualmente desfeito à medida que a recuperação se inicia, e as políticas devem fornecer estímulos para elevar a demanda e facilitar e incentivar a realocação de recursos de setores que possam emergir persistentemente menores após a pandemia”, acrescenta.

Segundo o FMI, a forte cooperação multilateral permanece essencial em múltiplas frentes. “A assistência de liquidez é urgentemente necessária para países que enfrentam crises de saúde e déficits de financiamento externo, inclusive por meio de alívio da dívida e financiamento por meio da rede global de segurança financeira”, afirma.