FMI chama Alemanha a gastar mais para compensar efeitos da crise

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São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que a Alemanha deve estar preparada para implantar apoio fiscal extra para consolidar uma recuperação econômica, já que as perspectivas são incertas e os riscos tendem para o lado negativo.

“A política fiscal deve permanecer suficientemente acomodatícia até que haja evidências de uma recuperação sustentada”, diz o FMI em relatório sobre as condições econômicas do país, conhecido como Artigo IV.

“As autoridades devem permanecer vigilantes quanto a sinais de problemas nos balanços e cicatrizes no mercado de trabalho e estar prontas para implementar medidas adicionais, se necessário”, acrescenta.

Segundo o FMI, a Alemanha navegou bem na primeira onda da pandemia de covid-19, graças à forte resposta de Berlim, mas uma segunda onda de infecções lança uma sombra sobre as perspectivas de crescimento para a maior economia da Europa.

Depois de se recuperar drasticamente das restrições ao vírus no início deste ano, a Alemanha está em seu segundo bloqueio em meio a uma nova onda de infecções. Restaurantes, bares e outros locais permanecem fechados pelo menos até o final deste mês.

“Embora a economia tenha começado a se recuperar no terceiro trimestre, a perspectiva se enfraqueceu em face de uma nova onda de infecções, e os riscos de queda aumentam”, diz.

A economia alemã contraiu 9,8% no segundo trimestre, depois se recuperou com uma expansão de 8,2% nos três meses encerrados em setembro. Para este ano, a projeção do FMI é de uma retração de 5,5%, com uma recuperação lenta em 2021.

“A economia não deve voltar aos patamares anteriores à crise antes de 2022. Os riscos para as perspectivas são significativos”, diz o FMI citando, além da pandemia, o Brexit e o retorno de tensões no comércio global.