FMI alerta que nova onda de covid-19 está desacelerando economia global

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A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva. (Foto: Stephen Jaffe/FMI)

São Paulo – A segunda onda de covid-19 que atinge vários países no mundo está desacelerando a recuperação da economia global, disse a diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, durante o Fórum Econômico da Bloomberg.

“Temos a chance de ter uma vacina e resolver a crise, mas ainda não chegamos neste momento ainda. Temos uma nova onda de covid-19 e nossa mensagem para os líderes mundiais é: não retirem o apoio à economia prematuramente. Só podemos retirar esse apoio quando entendermos que a crise atual ficou para trás”, disse ela.

A declaração de Georgieva acontece em um momento no qual as autoridades norte-americanas não se entendem sobre uma nova rodada de estímulos assim como os líderes europeus, que não conseguem um consenso sobre um novo orçamento que inclui um fundo de recuperação de 750 bilhões de euros.

Enquanto esse entendimento não acontece, os casos e mortes por covid-19 seguem aumentando. Os Estados Unidos superaram 250 mil óbitos pela doença, enquanto a Europa já responde por quase um terço das infecções no mundo. Na Ásia, Japão e Coreia do Sul registram novos recordes de contaminações em 24 horas.

“Precisamos permanecer juntos, trabalhar na aceleração de uma vacina para todos, em todos os cantos desse mundo. Isso é essencial. Se as vacinas forem distribuídas para todos em um ritmo acelerado vamos conseguir sair mais rápido da crise e poupar recursos na recuperação da economia”, disse Georgieva.

Mais cedo, a AstraZeneca e a Universidade de Oxford informaram que as descobertas preliminares de um ensaio clínico de fase dois revisado mostraram que sua candidata a vacina contra a covid-19 é segura e desencadeia uma resposta imunológica semelhante entre todos os adultos.

A notícia segue os anúncios de Pfizer e Moderna, mostrando que suas respectivas vacinas são seguras e altamente eficazes na prevenção do novo coronavírus.

Segundo a chefe do FMI, o fim da pandemia de covid-19 não significa que os problemas globais estarão superados.

“Estamos perdendo crescimento como resultado da crise provocada por essa pandemia. Nossa trajetória é de queda e temos uma nova crise no horizonte, a do clima. Por isso, precisamos sincronizar os esforços para uma economia verde, criando empregos nesse setor e apostando em nova infraestrutura. Essa é a fórmula para conseguirmos um crescimento mais sustentável”, completou Georgieva.

O FMI previu, no mês passado, que a economia global deve encolher 4,4% em 2020, uma contração menos severa do que a prevista em junho, de 5,2%, na medida em que os países avançados, em especial, retomaram suas atividades depois dos bloqueios devido à pandemia do novo coronavírus.