Fitch afirma rating do Brasil em BB- com perspectiva estável

São Paulo – A agência de classificação de risco Fitch manteve a nota de crédito do Brasil em ‘BB-‘ com perspectiva estável, afirmando que a diversidade da economia local e as instituições sólidas, que dão força ao país, enfrentam contrapontos que impedem a melhora do rating entre eles a incerteza no cenário político.

“O novo governo [do presidente Jair] Bolsonaro que assumiu em janeiro pretende abordar algumas das fraquezas estruturais no crescimento e nas finanças públicas. O governo pretende diminuir a regulação da economia, aumentar a participação do setor privado por meio de concessões e privatizações, abrir gradualmente a economia para a competição estrangeira e buscar a independência formal do Banco Central”, disse a Fitch em comunicado.

A agência, porém, destaca que o escopo e o momento em que essas reformas serão adotadas são “incertos”, principalmente em relação à reforma da Previdência – que segundo a Fitch é um dos principais fatores de déficit nas contas públicas no médio e longo prazo.

“A fragmentação no Congresso é um grande obstáculo e a nova administração ainda não forjou uma coalizão confiável, eficaz e durável para a agenda de reformas. Embora a Fitch acredite que as chances de a reforma da Previdência ser aprovada estejam maiores do que antes das eleições, atrasos e a diluição da reforma são prováveis”, avaliou.

Para a Fitch, a qualidade da reforma – indicador diretamente relacionado com o tamanho da economia proporcionada pelas mudanças – “dependerá da capacidade do governo para abordar e mobilizar apoio no Congresso” e a agência não descarta o risco de “um completo fracasso no avanço da reforma”.

A Fitch considera que a nota de crédito do Brasil poderia aumentar se houvesse melhora no ambiente político, de forma a facilitar a adoção das reformas econômicas pretendidas pelo governo, consolidação fiscal com estabilização da dívida e uma perspectiva de crescimento mais positiva, mantendo a estabilidade macroeconômica.

No lado negativo, a nota de crédito do Brasil pode cair sem um ajuste fiscal suficientemente forte, capaz de impedir um crescimento rápido nos encargos da dívida pública, se as condições de financiamento doméstico ou externo piorarem e se houver erosão das reservas internacionais e deterioração no balanço externo.

Gustavo Nicoletta

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