Fed mantém juros e sinaliza estabilidade das taxas

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Prédio do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em Washington. Foto: Divulgação/ Federal Reserve

São Paulo – O comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) manteve a taxa básica de juros entre zero e 0,25%, conforme previsto pelo mercado, mas a decisão não foi unânime. Dois membros do grupo votaram contra.

O grupo também sinalizou que os juros ficarão em níveis baixos por um longo período, afirmando que as taxas permanecerão no nível atual até que seja atingida uma condição de pleno emprego no mercado de trabalho norte-americano e até que a inflação “suba para 2% e esteja a caminho de superar 2% por algum tempo”.

Esta orientação sobre a trajetória futura dos juros está alinhada à mudança na estratégia da política monetária, anunciada no final de agosto pelo presidente do Fed, Jerome Powell, e que consiste em buscar uma inflação média de 2% ao ano, em vez de uma meta fixa de 2% ao ano.

A alteração também apareceu no comunicado, com o comitê afirmando que “com a inflação rodando persistentemente abaixo” da meta de 2% ao ano, o grupo decidiu “atingir uma inflação moderadamente acima de 2% por algum tempo para que a inflação na média seja de 2% ao longo do tempo e para que as expectativas de inflação de longo prazo continuem ancoradas em 2%.”

SITUAÇÃO ECONÔMICA

O Fed também mudou pouco sua avaliação sobre a economia, reiterando que a pandemia de covid-19 está provocando “dificuldades humanas e econômicas tremendas” nos Estados Unidos e no mundo e dizendo que a atividade econômica e o emprego no país melhoraram nos últimos meses – no comunicado anterior, a análise era de que a atividade havia “melhorado um pouco”.

“A demanda mais fraca e os preços significativamente menores do petróleo estão segurando a inflação nos preços ao consumidor. Em geral, as condições financeiras melhoraram nos meses recentes em parte refletindo as políticas para amparar a economia e o fluxo de crédito para as famílias e empresas dos Estados Unidos”, diz o comunicado, repetindo o que o Fed havia dito em julho.

“A trajetória da economia vai depender significativamente da trajetória do vírus. A crise de saúde pública em andamento continuará a pesar sobre a atividade econômica, o emprego e a inflação no curto prazo, e oferece risco considerável à perspectiva econômica no médio prazo”, acrescentou.

COMPRAS DE TÍTULOS

O Fed reiterou o compromisso de aumentar sua posição em títulos do Tesouro e títulos hipotecários nos próximos meses “pelo menos no ritmo atual” para apoiar o funcionamento do mercado e a manutenção de condições financeiras mais acomodativas.

DADOS RELEVANTES

O comitê indicou que continuará avaliando ao longo dos próximos meses qual a melhor forma de conduzir a política monetária, e disse que para isso vai monitorar as implicações de dados e informações – inclusive a respeito da saúde pública – sobre a perspectiva econômica.

“O comitê estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado se surgirem riscos que impeçam o cumprimento dos objetivos do comitê. As avaliações levarão em conta uma série ampla de informações, incluindo leituras sobre a saúde pública, as condições do mercado de trabalho, as pressões e expectativas de inflação e os acontecimentos internacionais e financeiros”, disse o grupo no comunicado.

DISSIDENTES

A decisão do comitê foi apoiada por 8 de seus 10 membros. Os dissidentes foram Robert Kaplan – que defendeu a manutenção dos juros até que o máximo emprego e a inflação de 2% fossem atingidos, com o grupo podendo decidir o que fazer com as taxas depois disso – e Neel Kashkari – que preferia manter os juros nos níveis atuais até que o núcleo da inflação atingisse 2% de forma sustentada.