Fed aumentará liquidez, mas nega que medida seja estímulo

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Por Cristiana Euclydes

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell. Foto: Divulgação/ Federal Reserve

São Paulo – O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) vai anunciar em breve planos para aumentar o próprio balanço e as reservas dos bancos por meio da compra de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, mas a medida não deve ser entendida como estímulo monetário à economia, disse o presidente da instituição, Jerome Powell.

Segundo ele, em texto preparado para discurso, em meados de setembro houve volatilidade no mercados monetários, com a falta de liquidez e aumento dos juros no overnight levando a taxa efetiva de juros do país para cima da meta. O Fed, então, realizou operações de mercado aberto para contornar a situação.

“Essa volatilidade pode impedir a implementação efetiva da política monetária, e estamos lidando com ela”, afirmou Powell. “De fato, meus colegas e eu em breve anunciaremos medidas para aumentar o suprimento de reservas ao longo do tempo”, disse.

Powell afirmou que “não hesitaremos em realizar operações temporárias, se necessário, para promover a negociação no mercado de fed funds a taxas dentro do intervalo desejado”, atualmente na faixa entre 1,75% e 2,00%.

Ele explicou que aumentar a oferta de reservas exige um aumento no tamanho do balanço de ativos do Fed, e que já havia sido dito em março que o banco central começaria a aumentar suas reservas de títulos para manter um nível adequado de reservas. “Esse momento está chegando”, disse Powell.

Por fim, o presidente do Fed disse que “o crescimento de nosso balanço para fins de gerenciamento de reservas não deve ser confundido com os programas de compra de ativos em larga escala que implantamos após a crise financeira”.

Para ele, nem questões técnicas recentes e nem compras de títulos do Tesouro “devem afetar materialmente a postura da política monetária”.