Expectativa por aprovação de estímulos nos EUA faz Bolsa subir

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São Paulo – Embora tenha reduzido levemente os ganhos no fim do pregão, o Ibovespa encerrou em alta pelo segundo dia seguido, mostrando uma valorização de 7,49%, aos 74.955,57 pontos, no maior patamar de fechamento desde o dia 13 de março (82.677,91 pontos).

Investidores aproveitaram para comprar ações vistas como baratas em meio a um maior otimismo visto nas Bolsas no exterior, em função da expectativa de aprovação de um pacote trilionário de ajuda à economia dos Estados Unidos. O volume total negociado foi de R$ 28,8 bilhões.

“O mercado começa a ensaiar uma melhora e parece mais leve, muitos fundos que estavam alavancados já zeraram, carteiras foram recompostas e há preços atrativos. Mas essa melhora vai depender muito da aprovação do pacote nos Estados Unidos”, disse o analista da Necton Corretora, Gabriel Machado.

As principais Bolsas no exterior subiram, com o índice norte-americano Dow Jones chegando a avançar mais de 6%, depois que legisladores e membros do governo de Donald Trump chegaram ontem a um acordo sobre uma medida de estímulo de US$ 2 trilhões que pode ser votada nos próximos dias.

No entanto, no fim do dia, surgiram novos impasses em torno do pacote, com o senador Bernie Sanders afirmando que pretende barrar a votação que era prevista para hoje se não for alterada a linguagem usada no plano de apoio a trabalhadores e empresas. Com isso, as Bolsas do país reduziram ganhos, movimento acompanhado pelo Ibovespa em alguma medida.

A cena política doméstica também seguiu no radar depois de reações negativas ao discurso do presidente Jair Bolsonaro, que minimizou a pandemia do coronavírus e criticou medidas de quarentenas, o que gerou conflitos com governadores.

Entre as ações, diversos papéis mostraram bom desempenho, mas as maiores altas do índice foram da Gol (GOLL4 36,66%), da Braskem (BRKM5 31,14%) e da Localiza (RENT3 25,82%), que tiveram fortes quedas recentemente. Já apenas ações do Carrefour (CRFB3 -4,54%), da Telefônica Brasil (VIVT4 -1,79%) e da Equatorial (EQTL3 -0,83%) encerraram em queda.

Amanhã, além de continuar de olho no noticiário em torno do coronavírus, investidores devem ficar atentos a terceira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2019 dos Estados Unidos, além de pedidos de seguro-desemprego da última semana. No Brasil, será divulgado o Relatório Trimestral de Inflação e o índice de atividade econômica (IBC-Br) de janeiro.

O dólar comercial fechou em queda de 0,98% no mercado à vista, cotado a R$ 5,0340 para venda, engatando a segunda queda seguida, em sessão de volatilidade na abertura dos negócios, mas a expectativa para a votação do pacote de estímulos ao redor de US$ 2,0 trilhões no Congresso dos Estados Unidos elevou o bom humor no ambiente externo, o que manteve a moeda estrangeira em queda ao longo do pregão.

O otimismo com o exterior em meio ao acordo firmado entre democratas e republicanos com o governo norte-americano para a votação das medidas, o que levou a moeda a renovar mínimas sucessivas e a operar abaixo de R$ 5,00.

No fim da sessão, a moeda desacelerou a queda com a informação de que pauta corre o risco de não ser colocado em votação no Senado hoje diante de controvérsias em torno da linguagem usada ao apoio a trabalhadores e empresas. Diante disso, a moeda encerrou acima deste patamar pela oitava sessão seguida.

“A menos que os senadores republicanos descartem suas objeções à legislação sobre o coronavírus, estou preparado para adiar esse projeto até que condições mais fortes sejam impostas ao fundo de bem-estar corporativo de US$ 500,0 bilhões”, escreveu o senador Bernie Sanders no Twitter.

“Em mais um dia de busca por ativos de risco no mercado global, o dólar exibiu forte volatilidade, mas manteve o sinal negativo ao longo da sessão por aqui, na esteira de outras moedas de países”, comenta o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik.

Amanhã, a aposta é de que a “instabilidade” segue, em meio aos desdobramentos do coronavírus e à espera da aprovação do pacote de estímulos com a agenda de indicadores mais cheia com a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) e a prévia dos dados de atividade em janeiro, o IBC-Br, enquanto nos Estados Unidos, sairá a terceira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre do ano passado.

Para o consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, o dólar poderá passar por uma correção depois de duas quedas seguidas, com o mercado ainda a mercê de notícias com os desdobramentos em torno do novo coronavírus. “Mas podemos esperar instabilidade. O que deve durar um tempo em meio à crise”, diz.