Estados Unidos e China assinam primeira fase de acordo comercial

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O vice-premiê da China, Liu He, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Divulgação/ Casa Branca

Por Carolina Gama

São Paulo – O presidente norte-americano, Donald Trump, classificou como histórico o momento da assinatura da primeira fase do acordo comercial com a China. Segundo ele, as negociações foram complexas e difíceis, mas bem-sucedidas.

“A primeira fase é um passo importante na direção de uma relação mais justa no comércio com a China”, afirmou Trump em cerimônia de assinatura do pacto em companhia da equipe chinesa liderada pelo vice-primeiro-ministro Liu He. “Muitos acreditavam que eu não conseguiria”, acrescentou.

AS TARIFAS CONTINUAM

Trump afirmou ainda que manterá as tarifas sobre as importações chinesas para garantir o sucesso da fase dois do acordo comercial. “A manutenção das tarifas é um trunfo nas negociações com a China. Não podemos abrir mão delas”, disse. “A segunda fase das negociações começará imediatamente e seu sucesso dependerá do desenrolar da primeira fase. Não acredito que haverá uma segunda fase”, acrescentou.

Na primeira fase do acordo comercial, tanto Estados Unidos como China suspenderam a entrada em vigor de uma nova rodada de tarifas previstas para o final do ano passado. Além disso, Washington reduziu à metade, para 7,5%, as sobretaxas incidentes a US$ 120 bilhões em importados chineses. No entanto, manteve as tarifas de 25% a US$ 250 bilhões em mercadorias produzidas por Pequim.

DETALHES DO ACORDO

Trump destacou alguns pontos que considera positivo no acordo de primeira fase com a China, entre eles a compra de US$ 200 bilhões em produtos norte-americanos por Pequim. “A China comprar US$ 50 bilhões em produtos agrícolas dos Estados Unidos, mais US$ 50 bilhões em energia e o restante em serviços e bens manufaturados”, afirmou Trump.

O presidente norte-americano também lembrou que o acordo inicial impede a desvalorização cambial e a garante proteção à propriedade intelectual. “Nossos segredos estão bem mais seguros agora. A China se comprometeu a combater a pirataria também”, disse. “A China também não irá seguir com desvalorizações forçadas de sua moeda”, acrescentou.

CRITICAS A PEQUIM

Apesar do progresso com a China, no qual destacou a boa relação e a ajuda de Pequim em questões como a Coreia do Norte, Trump não poupou críticas ao país asiático. “Os Estados Unidos perderam mais de US$ 5 trilhões no comércio desde que a China de junto à OMC”, disse. A China passou a ser integrante oficial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001, após 15 anos de negociações.

Em um ano de eleição, Trump afirmou que o desequilíbrio no comércio foi a principal razão que o fez concorrer à presidência dos Estados Unidos. “Nunca me conformei com o desequilíbrio no comércio e com a falta de ação de gestões anteriores. Hoje entrego uma de minhas promessas de campanha”, afirmou.

TRABALHO EM EQUIPE

Durante a cerimônia, Trump agradeceu o empenho dos negociadores norte-americanos, entre eles, os secretários do Tesouro, Steven Mnuchin; do Comércio, Wilbur Ross; e da Agricultura, Sony Perdue; além do conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow.

Os Estados Unidos e a China anunciaram a conclusão da primeira fase do acordo comercial no dia 13 de dezembro. O pacto inclui a suspensão gradual ou redução de algumas tarifas norte-americanas aplicadas a produtos importados chineses. Além disso, nesta semana, o governo de Trump retirou da China o status de manipulador cambial.

Já Pequim se comprometeu a comprar ao menos US$ 40 bilhões em produtos agrícolas dos Estados Unidos, além de se abster de desvalorizações competitivas do iuane e de apertar regras de propriedade intelectual e transferência de tecnologia.