Estrangeiros têm buscado rentabilidade em IPOs e follow-on

Por Eduardo Puccioni

São Paulo – O novo cenário econômico no Brasil com taxas de juros mais baixas e mercado secundário de ações mais desafiador tem alterado o perfil dos investidores estrangeiros que operam na B3. A migração de recursos e mudança de estratégia pode ser percebida na saída líquida dos não residentes em R$ 19,467 bilhões em agosto, até o dia 19, ante uma entrada líquida de R$ 23,688 bilhões dos gringos no mercado primário por meio de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) e follow-on.

De acordo com especialistas de mercado, esse fenômeno não tem relação com um possível encarecimento, em reais, dos ativos brasileiros negociados no mercado secundário da Bolsa de Valores, e seria apenas uma busca dos investidores por uma rentabilidade mais rápida apostando em IPOs ou simplesmente especulando uma valorização de um papel durante o processo de follow-on.

“Não acredito que a Bolsa esteja cara. Vejo que ele [investidor estrangeiro] arbitra este valor vendo uma oportunidade. Estão aproveitando uma oportunidade para ganhar um spread nessas operações [IPOs e follow-ons]”, explicou Marco Antonio Tulli Siqueira, chefe da mesa de operações da Coinvalores.

Siqueira diz ainda que os mercados emergentes e de Bolsa têm passado por um descontentamento onde o spread versus o risco de capital está dificultando o mercado secundário. “Estamos passando por uma temeridade mundial neste momento”, afirmou o especialista da Coinvalores.

Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, também acredita numa mudança de estratégia dos estrangeiros buscando rentabilidade em um mercado cada dia mais desafiador. “Tem acontecido um movimento global de ajustes de posições. O contexto internacional tem levado a esse movimento. Existe ofertas interessantes na Bolsa, mas existem setores que estão caro”, avaliou.

Vieira explica o setor de varejo, por exemplo, tem passados por alguns exageros e isso tem feito os investidores “rearrumarem suas posições”. “O Brasil não está na lista dos principais emergentes. Os queridinhos do mercado hoje em dia são Rússia, China e Malásia. Saindo desses mercados, o investidor estrangeiro já fica mais receoso”, disse.

Siqueira tem apostado em setores de construção e educação para investimentos ao longo do ano. “No início desse ano as empresas de construção já entregaram bons resultados e com os incentivos atuais do governo pode haver um potencial nessas ações. No caso da educação, tem as definições sobre o Fies [Fundo de Financiamento Estudantil] e pode se tornar atrativo”, explicou.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com