Estatal reduzirá investimentos para equilibrar fluxo de caixa

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Foto: Divulgação/Petrobras

São Paulo – A Petrobras está adotando medidas para equilibrar o fluxo de caixa em 2020 diante da queda brusca nos preços do petróleo e da redução na demanda por causa da atividade econômica reduzida decorrente dos esforços de contenção da pandemia do novo coronavírus, afirmou a empresa num comunicado.

Uma das medidas prevê uma redução de quase 30% dos investimentos programados para 2020, de US$ 12 bilhões para US$ 8,5 bilhões (ou US$ 7 bilhões na visão caixa), em função principalmente de postergações de atividades exploratórias, interligação de poços e construção de instalações de produção e refino, e da desvalorização do real frente ao dólar.

Segundo a Petrobras, a empresa solicitou desembolso de US$ 8 bilhões de linhas de crédito compromissadas na semana passada, com os recursos entrando no caixa da companhia nesta semana, e pediu o desembolso de duas novas linhas que somam R$ 3,5 bilhões.

Além disso, a empresa adiou para 15 de dezembro o pagamento de dividendos referentes a 2019 – algo que ainda precisa ser aprovado pela Assembleia Geral Ordinária (AGO) reagendada para 27 de abril -, e reduziu ou postergou um total de R$ 2,4 bilhões em despesas com funcionários.

Nesta redução de despesas estão incluídos o adiamento do pagamento do Programa de Prêmio por Performance 2019, do pagamento de horas-extras, do recolhimento de FGTS e do pagamento de gratificação de férias (medida amparada pela medida provisória 927), do pagamento de 30% da remuneração mensal total do presidente, diretores, gerentes executivos e gerentes gerais.

A redução de despesas também inclui cancelamento dos processos de avanço de nível e promoção para os empregados e avanço de nível de funções gratificadas de 2020, redução de 50% no número de empregados em sobreaviso parcial nos próximos três meses e suspensão temporária de todos os treinamentos.

A Petrobras também disse estar aplicando otimizações ao capital de giro e acelerando cortes nas despesas operacionais, “com uma diminuição adicional de US$ 2 bilhões”.

Neste grupo estão a hibernação das plataformas em operação em campos de águas rasas, com custo de extração por barril mais elevado, que em virtude  da queda dos preços do petróleo passaram a ter fluxo de caixa negativo.

“A produção atual de óleo desses campos é de 23 mil barris por dia (bpd) e os desinvestimentos nesses ativos continuam em andamento”, afirmou a empresa.

Também estão incluídas na redução das despesas operacionais menores gastos com intervenções em poços e otimização da logística de produção, adiamento de novas contratações relevantes pelo prazo de 90 dias.