Espanha decretará estado de emergência por covid-19 em regiões críticas

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São Paulo – O governo da Espanha decretará estado de emergência em regiões consideradas pontos críticos de infecções de covid-19, disse o primeiro-ministro do país, Pedro Sánchez, ao mesmo tempo em que visa a evitar novos confinamentos como os vistos no início da pandemia.

“A situação é grave e todos devemos agir com determinação, a máxima disciplina social e imprescindível unidade, protegendo a saúde pública de todos”, disse Sánchez, em pronunciamento à nação.

Segundo ele, o governo central e as comunidades autônomas definiram quatro níveis de alerta – baixo, médio, alto e extremo – com base em indicadores como o número de contaminações a cada 100 mil habitantes, além de incidência em maiores de 60 anos, taxa de positividade, ocupação de unidades de terapia intensiva, entre outros.

Assim, se um território da Espanha ultrapassar 250 casos por 100 mil habitantes, será considerado de risco extremo e “deverão ser adotadas medidas excepcionais que poderão requerer também a ativação de um instrumento constitucional que é estado de emergência”, a pedido dos governos regionais.

Sánchez citou medidas já adotadas por comunidades autônomas para conter a propagação do vírus, como toques de recolher e fechamentos perimetrais, além de limitações ao funcionamento de bares e restaurantes.

Ele reconheceu que as próximas semanas e meses, com a chegada do inverno [do Hemisfério Norte], serão duros. “Queremos e demos evitar a todo custo recorrer um novo confinamento domiciliar como o que vivemos durante semanas na primavera”, afirmou.

“Devemos adotar as medidas necessárias para frear os contágios causando o menor dano econômico possível e as menores restrições possíveis para as liberdades pessoais. E estamos prontos para dotar todas e cada uma das medidas que sejam necessárias”.

O primeiro-ministro propôs um pacto coletivo, de levar o número médio de infecções no país, atualmente de 348 casos por 100 mil habitantes, para abaixo de 25 casos por 100 mil habitantes.

“Temos muito caminho a percorrer”, disse ele, acrescentando que é possível conter o vírus se houver máxima disciplina social, se as pessoas seguirem regras de higiene, limitarem reuniões e evitarem saídas desnecessárias.

“Fizemos na primeira onda, e podemos voltar a fazer”, afirmou. “Sei que é muito difícil enfrentar a segunda onda sem nem mesmo ter me recuperado da primeira. Mas podemos e devemos”.

Por fim, ele disse que o fim da pandemia está cada vez mais perto, é preciso cooperação. “Unidade não é uma palavra, é a chave para a resistência contra a covid-19”.

A Espanha, que possui o maior número de contaminações na Europa, reportou ontem um total de 1.026.281 casos, o que representa um avanço de 7.953 em 24 horas, segundo dados do Ministério da Saúde do país. As mortes pela doença somam 34.521, alta de 570 considerando os últimos sete dias.