Engie Brasil buscará investimentos em transmissão

Foto divulgação: Engie Brasil

São Paulo – A Engie Brasil disse que deve ampliar investimentos no segmento de transmissão e espera que surjam oportunidades de fusões e aquisições no curto prazo. A companhia disse que tem uma estrutura de capital e solidez financeira para captar negócios.

“Temos uma estrutura de capital bastante robusta e com espaço para financiar, com nível de alavancagem de 86% e ainda conseguimos capturar boas taxas. Um exemplo são as debêntures que captamos para financiar o projeto de Santo Agostinho. Mas no curto e médio prazo, sempre avaliamos a Selic (taxa básica de juros) para futuras captações e precisamos de uma perspectiva mais positiva para novos projetos de M&A (fusões e aquisições), fazendo ajustes na estrutura de capital, se necessário”, disse Marcelo Cardoso Malta, diretor financeiro da Engie Brasil, em teleconferência com investidores sobre os resultados do terceiro trimestre.

Em relação a investimentos em geração, o executivo disse que a perspectiva da companhia é de oportunidades mais interessantes de retorno, direcionando o foco para projetos em solar e eólica. “Temos visto poucas oportunidades interessantes em geração hidrelétrica, mas estamos atentos a boas oportunidades”, disse.

O executivo disse que a companhia deve vender sua controlada de geração solar distribuída, devido à forte competição e baixo retorno do negócio para companhia. “O objetivo de entrar nessa atividade foi conhecer melhor o mercado e observamos uma competitividade muito grande, com concorrentes com estrutura de custo bem menos à nossa, por que temos governança e estrutura corporativa não conseguiremos ser competitivos para ampliar nosso portfólio. Devemos sair desse mercado e avaliamos potenciais compradores”, explicou.

CRISE HIDROLÓGICA

Em relação ao risco hidrológico para 2022, a companhia considera que houve bastante surpresa, com melhores níveis de chuvas em outubro e boas perspectivas em novembro, o que levou à uma queda de preços significativa, mas que ainda é cedo para falar em projeções para o (Generating Scaling Factor – fator que mede o volume de energia gerado pelas hidrelétricas) no ano que vem.

“Apesar das incertezas, avaliamos que ainda teremos níveis de GSF menos graves que 2021, mas ainda com perspectiva não tão positiva. Provavelmente, não repetiremos o ano de 2021, com a hidrologia mais crítica da história”, comentou.

O executivo também avalia que o impacto de R$ 80 milhões negativo em nos resultados do terceiro trimestre, devido ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) elevado, não foi tão significativo.

Para 2022, o portfólio da companhia é conservador considerando o risco. “Avaliamos diariamente o risco e podemos liberar a venda com preços favoráveis. A perspectiva não é tão negativa, mas o desafio de previsão é enorme”, concluiu.

RESULTADO TRIMESTRAL

O lucro líquido da Engie Brasil cresceu 30,4% no terceiro trimestre de 2021, em comparação com igual período do ano passado, para R$ 639 milhões. A receita operacional líquida do período foi de R$ 3,4 bilhões, alta de 5,6% em base anual.

No trimestre, o ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 22,1%, para R$ 1,7 bilhão, enquanto o ebitda ajustado totalizou R$ 1,7 bilhão no período, 18,5% maior que o visto na base anual.

Entre julho e setembro, a Engie Brasil vendeu 3.745 megawatts (MW) médios de energia, retração de 14,6% na comparação com o volume comercializado no mesmo período do ano anterior. O preço líquido médio de venda ficou em R$ 217,52 por megawatts-hora (MWh), alta de 11,5%, na mesma base de comparação.

A produção bruta de energia elétrica foi de 5.460 MW médios no trimestre, 1,8%
inferior ao mesmo intervalo de 2020.

Ao final do trimestre, a dívida líquida da empresa era de R$ 14,173 bilhões, alta de 26,5% na comparação anual. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida por ebitda, encerrou o período em 2,0 vezes, alta de 0,1 ponto percentual (pp) em relação a junho de 2021.