Empolgação com PIB faz Bolsa fechar em alta e dólar em queda

São Paulo – O mês de junho começou muito animado para o mercado acionário. O Ibovespa renovou, pelo terceiro dia consecutivo, o recorde histórico de pontuação com os investidores otimistas com a recuperação econômica aqui e no exterior. O bom desempenho das commodities e os dados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro melhores que estimados pelo mercado corroboraram para essa euforia.

O principal índice da B3 encerrou com alta de 1,62%, aos 128.267,05 pontos. Perto do fechamento, a Bolsa tocou na máxima do dia- 128.363,49 pontos. O volume financeiro atingiu R$ 42 bilhões.

Para os analistas Ativa Investimentos “o apetite pelas commodities é um dos catalisadores para a alta”. O minério subiu mais de 4% na China e o petróleo avançou mais de 2%. “O aumento de 1,2% no PIB brasileiro no 1T também contribuiu para o bom humor do mercado, beneficiando, sobretudo, os papéis ligados à retomada da atividade”, avaliaram.

As ações das empresas ligadas às commodities aceleraram: Usiminas (USIM5), Gerdau (GGBR4) e CSN (CSNA3) mais de 1%; mais de 3% e mais de 5%, respectivamente. Os papéis da Petrobras (PETR 3 e PETR4) avançaram mais de 2% e mais de 1%, nessa ordem.

O economista-chefe Daniel Miraglia, da Integral Group, comentou que o índice de mobilidade da população não chegou a cair tanto no 1T21 mesmo com a piora de covid e é esperado que haja a revisão do PIB com menor queda desse índice. “As revisões para cima da inflação criam uma relação dívida/PIB melhor no curto prazo e isso tem surpreendido positivamente o mercado explicando essa dinâmica favorável para a Bolsa e queda do dólar”.

Na visão de Rodrigo Friedrich, sócio da Renova Invest, a Bolsa será de ganhos na sessão de hoje com a alta do minério de ferro e do petróleo, que fazem as ações das empresas ligadas às commodities subirem impactando no índice, além de PMIs fortes pelo mundo.

“Acredito que hoje pode bater a máxima histórica novamente na nossa Bolsa. Se algum dado vier decepcionando o mercado, é capaz de inverter essa euforia”, enfatizou o sócio da Renova Invest.

O estrategista-chefe Felipe Sichel, do banco Modalmais, afirmou que os números do PIB mostram uma recuperação mais forte da economia, mesmo mostrando uma intensidade menor que o IBC-Br [Indice da Atividade Econômica do Banco Central- queda de 1,59% em março ante fevereiro]. Para as próximas leituras, o estrategista chefe avalia que “com o impacto da segunda onda da pandemia, a retomada do auxílio emergencial e avanço da vacinação, o crescimento do PIB foi revisado para 4,6% ao ano”.

Os dados econômicos dos Estados Unidos, Zona do Euro e Ásia também foram positivos e favoreceram o bom humor na Bolsa. Nos Estados Unidos, o PMI do setor industrial cresceu 62,1 pontos em maio ante 60,5 em abril, segundo dados revisados pelo IHS Markit.

Na Eurozona, o índice de gerentes de compras sobre a atividade do setor industrial subiu 63,1 pontos em maio, ante 62,9 pontos em abril, conforme os dados revisados pelo instituto de pesquisas IHS Markit. Na China, o PMI cresceu para 52,0 pontos em maio ante 51,9 pontos em abril. Leituras acima de 50 pontos indicam expansão da atividade econômica.

A impressão deixada pela divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre de que a economia caminha de vento em popa, atraiu investidores estrangeiros ao Brasil, fazendo com que o dólar comercial recuasse 1,47% a R$ 5,1460, na menor cotação registra neste ano, ou seja, voltando ao patamar de 2020.

A economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, destaca que o resultado do PIB, com crescimentos de 1,2% na comparação com o quarto trimestre do ano passado e de 1,0% no confronto anual, reforçou a leitura mais otimista que vinha ganhando espaço nas últimas semanas em relação à atividade econômica.

“Temos um movimento mais otimista com a economia e o mercado está revisando o PIB ao fim do ano, e grandes instituições apostando em um crescimento de 4,0% a 4,5% em 2021”, comenta, acrescentando que tem tido um fluxo de entrada de investidor estrangeiro na bolsa brasileira (B3) e que reflete na taxa de câmbio. O índice Ibovespa opera nos maiores níveis da história, acima dos 128.177 pontos na sessão.

“Esse fluxo é por conta da perspectiva de melhora da atividade econômica e com investidores de olho também na possibilidade de taxa de juros [Selic] mais alta por aqui”, ressalta.

No exterior, o ambiente também é mais positivo. Abdelmalack avalia que o cenário está mais controlado para o dólar, após a divisa norte-americana “experimentar” uma valorização mais forte desde o início do ano. “Dada a magnitude da valorização do dólar, sem evento novo, ele fica na lateralidade”, diz.

Apesar do otimismo doméstico, a economista não vê espaço para valorização do real amanhã, véspera de feriado local e com a agenda de indicadores mais esvaziada, com destaque para os números da produção industrial brasileira, em abril.

“Os dados são importantes porque agora vamos ter um termômetro da economia no segundo trimestre. Se vier pior do que o mercado espera, pode trazer alguma repercussão ao mercado. De qualquer forma, sendo véspera de feriado, vejo pouco espaço para o real seguir recuperando”, comenta.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam mistas. Os vencimentos mais longos caíram na tentativa de acompanhar o recuo do dólar em relação ao real depois de o produto interno bruto (PIB) do Brasil no primeiro trimestre ter vindo melhor do que o esperado pelos analistas. Já os vértices mais curtos subiram diante de especulações de uma elevação mais acelerada da taxa básica de juros pelo Banco Central com a intenção de deter a inflação.

Com isso, o DI para janeiro de 2022 fechou com taxa de 5,12%, de 5,09% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,75%, de 6,70%; o DI para janeiro de 2025 ia a 7,92%, de 7,90% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,44%, de 8,49%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações norte-americano oscilaram entre perdas e ganhos ao longo do dia para encerrar a sessão sem uma direção comum, com o otimismo sobre a reabertura econômica e as preocupações com a inflação ditando o ritmo das negociações de hoje.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,13%, 34.575,31 pontos

Nasdaq Composto: -0,09%, 13.736,50 pontos

S&P 500: -0,04%, 4.202,04 pontos