Em sessão volátil, Bolsa fecha em leve alta com setores de consumo e financeiro; dólar cai

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São Paulo -Em uma sessão bastante volátil, a Bolsa fechou em leve alta, perto da estabilidade, em meio à alta das ações de consumo, com Pão de Açúcar (PCAR3) liderando a ponta compradora, e setor financeiro e o destaque de queda ficou para ações de frigoríficos e commodities.

Em termos de indicadores, os investidores analisaram o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, acima do esperado, e dados de atividade e de emprego nos Estados Unidos.

Os papéis do Pão de Açúcar (PCAR3) lideraram os ganhos do índice em 12,31%. CVC (CVCB3) subiu 7,80% e Magazine Luiza (MGLU3) avançou 7,00%.

Na ponta negativa, Vibra (VBBR3) e BRF (BRFS3) foram destaques de queda, respectivamente 5,25% e 4,09%. As ações ligadas às commodities também caíram. Vale (VALE3) perdeu 0,92%, impactada com a notícia de que a nota de crédito da China foi reduzida de estável para negativa pela agência de risco Moodys por conta do endividamento fiscal do governo.

Em relação a dados econômicos, mais cedo, foi divulgado o PIB brasileiro relativo ao terceiro trimestre deste ano, que cresceu 0,1%, ante projeções do mercado de queda de 0,1%.

E, nos Estados Unidos, o relatório Jolts mostrou que 8,733 milhões de vagas foram abertas em outubro, uma queda de 9,850 milhões no mês anterior. Já o índice do Instituto de Gerência e Oferta (ISM, na sigla em inglês) sobre a atividade do setor de serviços norte-americano subiu para 52,7 pontos em novembro, de 51,8 pontos em outubro e a previsão era de 52,5 pontos.

O principal índice da B3 subiu 0,07%, aos 126,903,25 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em dezembro recuou 0,08%, aos 127.190 pontos. O giro financeiro foi de R$ 23,2 bilhões. Em Nova York, os índices fecharam mistos.

Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos, disse que o Ibovespa fechou com alta limitada “sustentada pelo desempenho das ações dos setores financeiro e de consumo após o resultado acima do esperado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre. Por outro lado, o fraco desempenho das commodities e das bolsas americanas pesam sobre o índice brasileiro, mesmo após dados que mostraram criação de emprego menor que a esperada em outubro, o que reforça a tese de corte nas taxas de juros americanas”.

Vinicius Moura, economista e sócio da Matriz Capital, disse tem leve alta “apoiada pela divulgação de um PIB favorável do terceiro trimestre e o setor varejista pode ter se beneficiado da perspectiva de aumento do consumo, especialmente com dados econômicos positivos. O Grupo Pão de Açúcar está se destacando nesse cenário”.

Moura também ressaltou a alta do setor imobiliário e de turismo. “Empresas como Cyrela (CYRE3) -subiu 3,86%-, que são sensíveis a melhorias econômicas. O crescimento econômico pode indicar maior demanda por imóveis e impulsionar o desempenho dessas companhias; no turismo, a CVC (CVCB3) pode estar respondendo positivamente à expectativa de retomada das atividades, à medida que a economia se recupera e as restrições de viagens diminuem”.

Já na ponta negativa, BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3) ficaram entre as maiores quedas “As empresas do setor de alimentos podem ser afetadas por custos de produção, variações no mercado de commodities ou outras questões operacionais”.

Vinicius Steniski, analista de ações do TC, disse que os dados aqui e lá fora deram o tom positivo. “O PIB do Brasil, de certa forma, deu uma animada porque veio acima das expectativas e, nos EUA, o PMI veio melhor que o esperado [subiu 50,8 pontos]. A Vale acaba pesando um pouco no índice”.

Lucca Ramos, sócio da One Investimentos, disse que a divulgação do relatório Jolts chegou a impulsionar o mercado, mas passou a operar sem muita direção, após a correção da véspera.

“O dado do Jolts foi muito bom, abaixo do consenso do mercado, o que mostra uma desaceleração da inflação. As recentes falas de diretores do Fed sinalizavam para um corte dos juros nos Estados Unidos em meados de março e, esse resultado de hoje reafirma a tese de redução das taxas no primeiro semestre de 2024 e abre discussão para acelerar o corte da Selic; destaque de alta para bancos, setores do varejo e saúde e peso das commodities, como Vale”.

O dólar comercial fechou em queda de 0,45%, cotado a R$ 4,9251. A moeda, que apresentou volatilidade ao longo da sessão, refletiu a expectativa do mercado com os dados do mercado de trabalho norte-americano que estão sendo divulgados ao longo desta semana e podem dar pistas sobre os próximos passos do Fed.

O relatório Jolts de outubro apontou que foram criados 8,733 milhões de postos de trabalho no último dia útil do décimo mês do ano. Os resultados de hoje, contudo, só aumentam as expectativas para o payroll, um dos principais termômetros do emprego nos Estados Unidos, na próxima sexta (8).

O sócio da Pronto! Invest Vanei Nagem, entende que o mercado vê que a inflação estadunidense dá sinais de desaceleração, assim como os resultados do mercado, o que faz com que o mercado enxergue um cenário mais animador.

Nagem reforça a expectativa com os dados do payroll, e que a moeda brasileira não destoa nesta terça: “Hoje o real está em linha com os pares”, avalia.

Mais cedo, foi divulgado que o Produto Interno Brasileiro (PIB) brasileiro cresceu 0,1% no 3º trimestre ante trimestre imediatamente anterior. Já no comparativo com mesmo período de 2022, a alta foi de 2%. Ambas ficaram acima das projeções do mercado de -0,2% e +1,65%, respectivamente.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) fecham majoritariamente em alta em dia de divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que veio acima do esperado e de relatório Jolts, nos Estados Unidos, que mostrou dados abaixo do estimado pelo mercado.

O DI para janeiro de 2024 tinha taxa de 11,844% de 11,862% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2025 projetava taxa de 10,375% de 10,375%, o DI para janeiro de 2026 ia a 10,040%, de 10,012%, e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 10,150% de 10,153% na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam a sessão em campo misto à medida que o recente rali em Wall Street perde força após a divulgação do mais recente indicador sobre o mercado de trabalho norte-americano.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: -0,22%, 36.124,56 pontos
Nasdaq 100: +0,31%, 14.229,9 pontos
S&P 500: -0,05%, 4.567,18 pontos

 

Com Paulo Holland, Camila Brunelli e Darlan de Azevedo / Agência CMA