Em Davos, Merkel defende multilateralismo e alerta para riscos climáticos

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A chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Foto: Divulgação/ Governo Federal da Alemanha

São Paulo – A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, defendeu o multilateralismo e acordos comerciais entre os países, em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Ela também alertou para a urgência em lidar com as mudanças climáticas.

“Temos um mundo com muitos conflitos comerciais, e vimos o crescimento global desacelerando”, disse. “Insegurança e isolacionismo não conduzirão ao crescimento”. Merkel afirmou ser a favor de conversas, e não guerras comerciais. “Com menos protecionismo, vamos reduzir os perigos de recessão”. Ela disse ser a favor de um acordo entre os europeus e os Estados Unidos.

“Nós, como europeus, e eu posso dizer isso pela Alemanha, vamos defender o multilateralismo, vamos defender as organizações multilaterais”, disse ela. “Como eu vejo, a forma mais efetiva de criar prosperidade global é a forma multilateral”, afirmou.

“A Organização Mundial do Comércio (OMC) é parte disso. Eu concordo com o presidente norte-americano [Donald Trump] de que a OMC precisa de reformas, mas isso tem que ser conduzido de forma funcional”, afirmou Merkel. Para ela, repetir a mesma mensagem não convencerá a todos, mas que vale a pena defender o multilateralismo e há “muitos que trabalham pelo mesmo objetivo”.

Com relação ao meio ambiente, a chanceler alemã disse que cumprir as metas do acordo climático de Paris “pode ser uma questão sobrevivência para todo o planeta”, citando a redução da temperatura global. “Se queremos alcançar isso, temos que acelerar esforços”, de acordo com ela.

“A comunidade global precisa agir junto. Isso é um acordo internacional. Infelizmente nem todos estão conosco nisso, mas muitos país ainda estão lá”. Merkel destacou que país industrializados tem a “obrigação tecnológica” de fazer mais pelo meio ambiente. “Todo o jeito que fazemos negócios, que vivemos, que nos acostumamos durante a era industrial, terá que ser mudado, teremos que deixar isso para trás nos próximos 30 anos”.

Ela também defendeu o acordo nuclear assinado com o Irã e outras potências globais em 2015, afirmando que não há nada melhor para substituí-lo, e disse que o mecanismo de disputa foi ativado para enviar uma mensagem à Teerã de que as violações do acordo não viriam sem consequências.

Merkel disse ainda que cometeu um erro com relação à imigração. “O erro certamente não foi receber essas pessoas, refugiados em nossas portas. O erro que cometemos foi não ter sido vigilantes o suficiente antes deste fenômeno, sobre questões que fazem as pessoas quererem deixar seu país”.