Em 2021, foco da Magazine Luiza será em logística

Fachada de Loja do Magine Luiza

São Paulo – A Magazine Luiza disse que ampliará os investimentos em logística em 2021. Após fazer duas aquisições nessa área, a companhia disse que continuará investindo em melhorias e a avaliar oportunidades nessa área e reiterou sua estratégia de criar um ecossistema digital com a ampliação de sua plataforma de comércio eletrônico e aumento de sua capilaridade.

“Fizemos 11 aquisições em 2020, queremos ser o sistema operacional do varejo brasileiro, que representa R$ 1 trilhão e R$ 100 bilhões em digital e tem potencial de R$ 300 bilhões. A principal categoria é de alimentos, higiene e limpeza, que tem desafios logísticos e é pouco concentrado”, disse o presidente da companhia, Frederico Trajano, em teleconferência com investidores.

A aquisição da VipCommerce pela companhia, no mês passado, será a base de expansão na categoria mercado nas categorias 1P (em que o estoque e as vendas são realizadas diretamente pela companhia) e 3P (quando a venda é terceirizada por um vendedor externo). O executivo disse que esse mercado representa R$ 67 bilhões no país.

A companhia também avalia oportunidades em moda e beleza, mercado que é avaliado em R$ 223 bilhões pelo varejista e no qual entrou com as aquisições da Netshoes e Zattini, em 2019, além de alimentação e serviços financeiros. A empresa já realizou aquisições nessas áreas, como o Aiqfome e Hub Fintech.

Em relação ao resultado de 2020, o executivo destacou o crescimento nestes segmentos – mercado e esportes, com a operação da Netshoes – considerados negócios marginais (non core).

A companhia encerrou 2020 com caixa líquido ajustado de R$ 7,3 bilhões e destacou que a evolução do capital de giro, um aumento de R$ 1 bilhão em um ano. O caixa total cresceu R$ 1,8 bilhão e a despesa financeira caiu para 1,2% de 2,9% da receita líquida.

“O resultado de 2020 não é uma coincidência, a empresa apresenta resultados consistentes todos os anos”, disse o executivo.

A companhia quer ampliar a oferta de serviços financeiros com o cartão Luiza e a Hub para pagamentos eletrônicos, fidelidade ao cliente do e-commerce e produtos para os varejistas do marketplace.

“Queremos desenvolver uma estrutura sustentável para o 3P e isso passa pela loja física. Aproveitar a sinergia dos múltiplos canais é a nossa estratégia em 1P e é o que faremos em 3P”, disse.

O executivo disse que o investimento em categoria de mercado é o que traz clientes e margem para a companhia e citou a chinesa Pinduoduo como exemplo.

“Este é um segmento que aumenta a recorrência na plataforma e em que todos os varejistas estão entrando”, disse o executivo.

Em sua avaliação, a maturidade do comércio eletrônico brasileiro será mostrada com o crescimento em categorias de tíquetes menores, que é uma tendência atual no mercado brasileiro.

Em relação ao investimentos em logística, a varejista disse que serão destinados, principalmente ao crescimento orgânico da estrutura atual, com ampliação da malha e da frequência de abastecimento, novos centros de distribuição, tecnologia e geolocalização.

A integração entre as diversas empresas no ecossistema Magalu está sendo feita por meio da integração de diversos aplicativos dentro da plataforma.

“O importante é ter despesa baixa e crescer acima do mercado, mesmo com margens mais baixas. Nosso objetivo é buscar escala, que chamamos de ‘crescimento chinês’, e por isso estamos ampliando nosso mix e capilaridade”, finalizou.

LOJAS FECHADAS

Em relação aos impactos do agravamento da pandemia no país, o presidente da Magazine Luiza, Frederico Trajano, disse que parece que houve um “retorno à estaca zero” e que a companhia está com 800 lojas fechadas, ante 1200 no início das restrições há um ano.

“O Brasil gera incessantemente notícias ruins e ao mesmo tempo, gera empresas fantásticas, com alto valor e geração de caixa, e isso sempre vai acontecer. Estamos com 800 lojas fechadas, estamos com novos desafios, mas devemos lutar por um varejo formal, da forma correta e continuar lutando”, comentou, ao finalizar a teleconferência com investidores sobre os resultados de 2020.