Efeitos da pandemia são maiores em emergentes, diz Copom

247
Presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, fala com imprensa durante a apresentação do Relatório de Inflação no edifício sede do Banco Central do Brasil. (Foto: Raphael Ribeiro/BCB)

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom) ponderou, conforme a ata da reunião da semana passada, que a reação dos governos e bancos centrais das principais economias mundiais tem apresentado coordenação e dimensão inéditas, mitigando parcialmente os impactos econômicos causados pela pandemia de coronavírus. Porém, o Comitê ressalta que os efeitos sanitários e econômicos dessa crise tornaram-se desproporcionalmente maiores em países emergentes.

“Sendo assim, embora tenha havido alguma moderação na volatilidade dos preços dos ativos, o ambiente internacional segue sendo desafiador para a economia brasileira”, afirma o Copom. Para os membros do Comitê, os dados relativos ao segundo trimestre corroboram a perspectiva de forte contração do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no período e sugerem que a atividade atingiu seu menor patamar em abril, havendo recuperação apenas parcial em maio e junho.

Com isso, o cenário básico do Banco Central considera uma queda forte do PIB na primeira metade deste ano, seguida de uma recuperação gradual a partir do terceiro trimestre. Os membros do Copom também discutiram a respeito do nível de ociosidade da economia e consideram que o aumento das incertezas deve resultar em maior poupança precaucional e consequente redução da demanda agregada.

O Comitê também ponderou o impacto dos programas de estímulo creditício e de recomposição de renda e avalia que tais programas têm potencial de recompor “parte significativa” da demanda agregada que teria sido perdida devido aos efeitos da pandemia. “Com isso, a recuperação da economia pode ser mais rápida que a sugerida no cenário base”, revela a ata da reunião do Copom na semana passada.