Economia faz ações de bancos ganharem força em 2020

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Moeda Nacional, Real, Dinheiro, notas de real. (Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil )

São Paulo – Após perder um pouco em dezembro, o setor bancário voltou a ganhar prestígio entre as corretoras para indicações em janeiro. Em diversas casas de análise consultadas, o segmento teve sempre três ou mais representantes entre os papéis mais recomendados.

Boa parte dos analistas acredita que o ano de 2020 será bom para bancos varejistas, com força no crédito e capilaridade para acessar pessoas físicas e pequenas e médias empresas. Também podem pesar as pressões regulatórias e a competição de novos entrantes, como fintechs e plataformas de investimentos.

Com isso, as ações do Banco do Brasil, Itaú Unibanco e do Bradesco foram as mais apontadas nas principais listas de corretoras. Além disso, um levantamento da consultoria Economatica apontou as ações que mais devem pagar dividendos e juros sobre capital próprio em 2020 e os bancos são seis das recomendadas.

A ação de banco com o melhor retorno para dividendo projetado são as do Itaú Unibanco. Em 2018, o lucro do banco foi de R$ 24,9 bilhões e nos nove meses de 2019, o lucro somava R$ 19,1 bilhões, que é equivalente a 76,5% do lucro de 2018. A ação no ano de 2019 remunerou o seu acionista com dividendos e JCP’s em 9,34% de Dividend Yield.

Considerando que a empresa em 2019 registre lucro igual ou superior ao de 2018 e que mantenha a política de distribuição de dividendos em 2020 equivalente ao de 2019, o Dividend Yield do Itaú projetado para 2020 é de 8,76%. O Banrisul tem o dividend yield projetado para 5,75 e o Bradesco de 5,54.

Preferidas pela Elite Corretora de Investimentos devido ao foco do banco na estratégia digital, as ações do Itaú Unibanco representam a confiança da casa, que acredita que o banco é o melhor preparado para lidar com o novo cenário concorrencial, como as medidas do Banco Central para controlar o spread bancário e as fintechs.

A Corretora Socopa aponta que os papéis do Bradesco estão baratos e o banco está bem preparado para se beneficiar da recuperação econômica. O capital é saudável, a inadimplência e juros estão em níveis adequados e o Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) do segmento de crédito é elevado, na opinião da corretora.

Já para a Corretora Necton, o Banco do Brasil mostrou um gradual ganho de rentabilidade nos últimos anos, após a alta no lucro de 40% no acumulado do primeiro semestre e alta de 13,3% na margem financeira líquida. A Necton considera que as ações do BB estão baratas frente aos seus pares.

Para a XP Investimentos, o setor bancário deve se beneficiar da retomada da economia e da baixa estrutural na inadimplência para continuar aumentando sua carteira de crédito e melhorar o mix com pessoas físicas e pequenas e médias e empresas.

A XP diz também que o setor pode ter dificuldades, a Selic baixa por longo período tende a diminuir a margem financeira, colocando contrapeso nos ganhos de volume e de mix, além do aumento da CSLL de 15% para 20%, que pode afetar o lucro já no primeiro trimestre de 2020.

Além disso, pressões regulatórias, como sandbox para fintechs, open banking, pagamento instantâneo e a taxação de dividendos não estão no totalmente refletidos no preço das ações e a competição de novos entrantes, como fintechs e plataformas de investimentos, não deve baixar.

Com isso em mente, o Bradesco foi eleito a melhor opção pela casa por ter a capilaridade necessária para atingir virtualmente todo o país.

Este critério os leva a acreditar que Bradesco e Banco do Brasil podem ser boas escolhas para se posicionar em 2020, por terem a capilaridade necessária para atingir virtualmente todo o país com suas quase nove mil agências combinadas.

Allan Ravagnani / Agência CMA