Dólar encosta em R$ 4,07 e Bolsa cai com busca por proteção

Por Flávya Pereira e Danielle Fonseca

São Paulo – O dólar comercial fechou em forte alta de 1,59% no mercado à vista, cotado a R$ 4,0690 para venda, no maior valor desde 20 de maio – quando encerrou em R$ 4,1050 – em sessão negativa para as moedas de países emergentes. A espera de investidores pelas atas de bancos centrais e declarações de dirigentes deixam o mercado cauteloso.

“Foi dia de forte aversão ao risco ainda na esteira da guerra comercial entre Estados Unidos e China, e com investidores à espera das falas dos bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa ao longo da semana com a expectativa de sinais sobre os próximos da política monetária no próximo mês”, comenta a analista da Toro Investimentos, Luana Nunes.

Nesta semana, as atas das reuniões do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Banco Central Europeu (BCE) do mês passado são amplamente aguardadas e podem mexer com os mercados, junto ao discurso do presidente da autoridade monetária dos Estados Unidos, Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole, na sexta-feira.

Ainda sobre o movimento da moeda no pregão, o diretor de uma corretora nacional destaca a declaração do presidente da unidade do Fed de Boston, Eric Rosengren, de que o quadro para a economia norte-americana é positivo e, caso as projeções confirmem, “não vê motivo para mais relaxamento monetário”agora.

“Tecnicamente, a interpretação do mercado é de que há a real possibilidade de valorização do dólar, caso se confirmem as previsões de Rosengren”, reforça o diretor. Ele acrescenta que o movimento de saída de recursos estrangeiros tem impactado fortemente o dólar. “Além da especulação”, reforça Nunes, da Toro.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca, investidores devem seguir atentos aos bancos centrais e na expectativa pelos eventos ao longo da semana, além da espera pela operação do Banco Central com a oferta de dólares no mercado à vista e operações simultâneas no mercado futuro a partir de quarta-feira. “A tendência é de que o viés de alta permaneça até que venha algum alívio da guerra comercial ou da declaração do Fed”, diz a analista da Toro.

Já o Ibovespa encerrou em queda de 0,33%, aos 99.468,67 pontos, refletindo um aumento da saída de ativos de emergentes e a busca por dólares, com investidores buscando proteção diante de dúvidas sobre a desaceleração da economia global e sobre quais serão os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Esse movimento fez com que o índice se descolasse da alta das bolsas norte-americanas.

Pela manhã, o Ibovespa chegou a subir, atingindo a máxima de 100.947,60 pontos, mas depois virou durante à tarde e bateu a mínima de 98.908,19 pontos. O volume total negociado foi de R$ 23,4 bilhões, sendo que o vencimento de opções sobre ações movimentou R$ 10,218 bilhões hoje.

“O Ibovespa abriu seguindo uma melhora das bolsas lá fora, mas depois vimos um desconforto grande com o dólar a 4 reais e investidores fazendo hedge. Os grandes players estão desconfortáveis com emergentes, há uma certa fuga desses ativos e o dólar está reagindo em vários países”, disse o CEO da WM Manhattan, Pedro Henrique Rabelo.

Desde a semana passada, uma possível desaceleração da economia global tem deixado investidores preocupados. Apesar de governos como o da China e da Alemanha terem anunciado medidas de estímulos neste final de semana e de diversos bancos centrais estarem reduzindo juros, há dúvidas sobre como as economias irão reagir e se o Fed irá seguir esse movimento, continuando a reduzir juros.

Nesse contexto, as falas do presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren, elevaram as incertezas hoje, já que na sua avaliação, seria preciso mais dados para confirmar uma desaceleração que levaria à redução de juros.

Para o diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo, investidores também seguem avaliando as medidas de estímulo que estão sendo tomadas e elas podem não evitar uma recessão de alguns mercados no longo prazo, com bancos centrais tendo que buscar outros instrumentos.

Zuffo ainda citou que o vencimento de opções sobre ações hoje pode ter
ajudado a trazer volatilidade, além de existir grande expectativa pela participação do presidente do Fed, Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole nesta semana.

“É preciso ver se o Fed irá endossar um novo corte de juros, embora alguns membros do Fed tenham falado que os números da economia do país estão bons. No entanto, a pressão do mercado é grande, com outros bancos centrais também fazendo cortes”, disse. Além de Powell, investidores devem seguir com cautela nesta semana à espera das atas do Fed e do Banco Central Europeu (BCE).

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