Dólar cai a R$ 5,22 com dado fraco sobre a economia dos EUA

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São Paulo – A Bolsa operou todo o dia em muito bom humor. Perto do fechamento engatou uma alta expressiva e fechou os negócios com ganho de 1,76%, superando os 122 mil pontos, aos 122.038,11 pontos. A mínima do dia foi 119.921,69 pontos.

A valorização do Ibovespa é atribuída aos dados de emprego dos Estados Unidos, payroll, ter ficado abaixo das previsões, o que mostra que o Federal Reserve (Fed, banco central norte americano) não vai mexer na política monetária, o resultado das vendas no varejo brasileiro ter saído melhor que o esperado e o resultado forte de algumas empresas, como B3 (B3SA3) -um dos papéis mais negociados na Bolsa- e Banco do Brasil (BBAS3) patrocinando a alta das ações.

Para Bruno Komura, estrategista de renda variável da Ouro Preto Investimentos, “o payroll foi interpretado com bons olhos pelo mercado porque afasta a perspectiva de um aumento de inflação e do Fed elevar os juros”, comenta.

O relatório de emprego dos Estados Unidos, divulgado esta manhã mostrou que foram criados em abril 266 mil postos de trabalhos e a taxa de desemprego aumentou para 6,1%, de 6,0% em março. O número de vagas de emprego ficou abaixo da expectativa do mercado, que espera a criação de 1,05 milhão. A taxa de desemprego veio acima das estimativas dos analistas, de 5,8%.

O analista completa que as vendas do varejo divulgadas pela manhã pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) [retração de 0,60% em março ante fevereiro, +de 0,50%, dado melhor que o estimado, queda de 3,70% mediana calculada pelo Termômetro CMA] ajudaram papéis do setor varejista e atrelado aos resultados de empresas e fazem algumas ações subirem.

Na avaliação de Leonardo Santana, especialista em mercado da Top Gain, “boa parte da valorização do real e alta da Bolsa é devido à taxa de juros (Selic)- de 3,5%- que atrai investimento estrangeiro no nosso País”, afirma. Ele acrescenta que a política de estímulos como a do presidente Joe Biden “anima muito as bolsas, local e norte-americana, além das commodities com destaque para o minério de ferro, que vem apresentando recordes”.

O lucro líquido do Brasil do Brasil (BBAS3) mostrou alta de R$4,9 bilhões no primeiro trimestre de 2021, um ganho de 44,7% superior aos R$3,4 bilhões registrados no mesmo período no ano passado. A B3 (B3SA3) reportou lucro líquido de R$1,26 bilhão no 1T21, 22,5% acima do registrado no igual período de 2020.

Os papéis da B3 (B3SA3) avançam mais de 5% e do Banco do Brasil (BBAS3) subiram mais de 2,00%. Os analistas da Terra Investimentos também destacam as ações da CCR (CCRO3), que aumentaram mais de 9%, após a Andrade Gutierrez anunciar que decidiu vender participação na empresa, atualmente detém 14,9%.

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,94%, cotado a R$ 5,2280 para venda, voltando aos patamares de janeiro deste ano. O recuo de hoje teve como protagonista o dado de emprego nos Estados Unidos que veio muito abaixo do previsto por analistas e, em segundo plano, a valorização de moedas de países emergentes e produtores de commodity. Na semana, a retração do dólar foi de 3,70%.

“O dólar comercial operou majoritariamente em queda e teve como principal indutor para este movimento, a divulgação de um payroll pífio, que ficou bem abaixo da previsão dos especialistas, indicando que o Fed [banco central norte-americano] pode demorar um bom tempo para iniciar o ciclo de aperto monetário, sentimento que gerou uma onda de desvalorização do dólar ao redor do globo, com investidores saindo dos ativos seguros e indo a procura do risco”, explicou Jefferson Rugik, em análise enviada por e-mail.

“Por aqui não foi diferente, com o dólar comercial registrando mínimas sequenciais ao longo da sessão, chegando a passear pela faixa dos R$5,20”, concluiu o documento enviado por Rugik.

De acordo com dados do governo norte-americano, a economia dos Estados Unidos criou 266 mil postos de trabalho em março e a taxa de desemprego subiu de 6,0% para 6,1%. Analistas esperavam abertura de 1,05 milhão de vagas e taxa de desemprego de 5,8%.

“Hoje a sessão segue naquele ritmo de sexta-feira, com direção única. Até que a queda foi expressiva para um pregão pré-final de semana. Historicamente a sexta é um dia de garantir uma posição mais defensiva para o final de semana. Mas com o aumento da Selic essa semana e dados fracos sobre a economia dos Estados Unidos não tem como segurar esse recuo”, explicou um operador de câmbio de uma grande corretora.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam em leve queda, mas influenciadas por pressões em sentido contrário nas pontas longa e curta da curva a termo. Enquanto os vencimentos mais curtos reagiram às pressões inflacionárias e ao aperto monetário, os vértices mais longos resistiram acompanhando a queda dólar, motivada pelo relatório do mercado de trabalho dos Estados Unidos, o payroll.

Com isso, o DI para janeiro de 2022 fechou com taxa de 4,845%, de 4,800% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,63%, de 6,56%; o DI para janeiro de 2025 ia a 8,07%, de 8,04% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,64%, de 8,65%, na mesma comparação.

Wall Street terminou o dia em tom positivo, após o relatório de emprego decepcionante de abril sugerir que a economia norte-americana pode não estar se recuperando na velocidade prevista. Em meio a apostas de continuidade de uma política monetária mais frouxa, os principais índices do mercado de ações norte-americano fecharam a sessão em alta, com o Dow Jones dando um salto de 200 pontos e renovando máxima.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,66%, 34.777,76 pontos

Nasdaq Composto: +0,88%, 13.752,20 pontos

S&P 500: +0,73%, 4.232,60 pontos