Desenvolver moeda digital será importante, diz Campos Neto

Presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, participa de Café da manhã com Parlamentares da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. (Foto: Raphael Ribeiro/ BCB)

São Paulo, 30 de março de 2021 – Desenvolver uma moeda digital é algo importante diante do futuro que está se desenhando para o setor financeiro, mas no momento ainda há mais perguntas do que respostas a respeito deste assunto, afirmou o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.

“É muito importante que meio de pagamento acompanhe [os avanços]. Apesar de ter vários sistemas hoje que basicamente cumprem papel de moeda digital, a moeda digital [própria] vai ser importante”, disse ele durante um evento promovido pelo banco Daycoval.

Ele ressaltou que o BC tem entre seus projetos o desenvolvimento de uma moeda digital, mas que para se chegar a este estágio é preciso abordar uma série de outras questões relacionadas ao real e seu uso hoje.

“A moeda precisava passar por algumas reformas antes de qualquer coisa. A primeira é a simplificação, que está no PL cambial, que foi aprovado. Agora a gente precisa trabalhar na aceleração deste processo. A parte de internacionalização, para a gente ter moeda mais internacionalizada, que vem depois com processo de conversibilidade”, disse o presidente do BC.

“A conversibilidade não é o objetivo, é consequência de se ter moeda estável. E moeda digital precisa ter todos esses ingredientes para ter condições de existir”, afirmou.

Ele ressaltou que entre os bancos centrais ainda há mais dúvidas do que respostas em relação à criação de moedas digitais, e que ainda é preciso alinhar algumas condições básicas para que elas possam existir e ter função de pagamentos internacionais. “Seria muito ruim se cada país tivesse moeda digital num formato”, afirmou.

Outros aspectos que precisam ser decididos dizem respeito ao órgão emissor – se os bancos centrais ou comerciais -, à custódia e à remuneração. “Se tiver remuneração gera processo de intermediação que consideramos perigoso”, afirmou.

A rastreabilidade da moeda também é um outro ponto que ainda gera dúvidas nas autoridades, visto que permitir a identificação de quem fez e quem recebeu os pagamentos eliminaria um dos motivos pelos quais há demanda por criptomoedas, afirmou.