Desemprego sobe a 14,4% em fevereiro e taxa é recorde para trimestre, diz IBGE

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Foto: Secretaria de Trabalho/DF

São Paulo – A taxa de desocupação da população brasileira foi estimada em 14,4% no trimestre móvel encerrado em fevereiro, levemente acima em relação ao período anterior (14,1%), referente aos meses de setembro a novembro do ano passado, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou praticamente em linha com o esperado, de acordo com a mediana das estimativas coletadas pelo Termômetro CMA, de 14,5%.

O resultado é o maior para o trimestre móvel da série histórica, iniciada em 2012. Já na comparação com o mesmo período anterior, referente aos meses de dezembro de 2019 a fevereiro do ano passado, quando estava em 11,6%, houve alta de 2,7 pontos percentuais (pp), segundo o IBGE.

No fim de fevereiro, a população desocupada somava 14,4 milhões de pessoas, recorde para a série histórica, crescimento de 2,9% (400 mil pessoas a mais) em relação ao trimestre móvel anterior (quando somou 14,0 milhões de pessoas), e avançou 16,9% (2,1 milhões de pessoas a mais) no confronto com igual trimestre terminado em 2020.

A população ocupada totalizou 85,9 milhões, estável em relação aos meses de setembro a novembro, porém, caiu 8,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior (7,8 milhões de pessoas a menos). Entre dezembro e fevereiro, o nível de ocupação chegou a 48,6% (estável ante setembro e novembro e -5,9 pp na comparação com o mesmo trimestre de 2020).

“Embora haja estabilidade na taxa de ocupação, já é possível notar uma pressão maior com 14,4 milhões de pessoas procurando trabalho. Não houve, no trimestre, uma geração significativa de postos de trabalho, o que também foi observado na estabilidade de todas as atividades econômicas, muitas ainda retendo trabalhadores, mas outras já apontando um processo de dispensa como o comércio, a indústria e alojamentos e alimentação”, avalia a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

Já a taxa de subutilização da força de trabalho atingiu 29,2%, estável em relação ao trimestre encerrado em novembro do ano passado, mas alta de 5,7 pp na comparação com igual período de 2020. Segundo o IBGE, a população subutilizada somou 32,6 milhões no fim de fevereiro, também estável em relação ao trimestre imediatamente anterior, mas avançou 21,9% (mais 5,9 milhões de pessoas) ante dezembro de 2019 e fevereiro do ano passado.

Assim, a população fora da força de trabalho alcançou 76,4 milhões de pessoas, estável no confronto trimestral, mas cresceu 15,9% (mais 10,5 milhões de pessoas) no confronto anual. Já a população desalentada chegou a 6,0 milhões de pessoas, recorde na série histórica iniciada em 2012, estável no confronto trimestral, mas disparou 26,8% na comparação anual. Por sua vez, a taxa de informalidade foi de 39,6% da população ocupada (mais 34,0 milhões de pessoas).

Em relação à renda, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores foi estimado em R$ 2.520 entre dezembro e fevereiro, queda de 2,5% frente ao trimestre móvel anterior e estável no confronto anual. Já a massa de rendimento médio real habitual dos ocupados no trimestre encerrado em fevereiro foi estimada em R$ 211,2 bilhões, estável em relação ao período anterior, mas recuou 7,4% frente ao mesmo período do ano passado.

O IBGE reforça que houve estabilidade da população ocupada nos dez grupamentos de atividade no trimestre móvel encerrado em fevereiro na comparação trimestral. No confronto anual, porém, o número de pessoas ocupadas em Serviços domésticos teve tombo de 20,6%, enquanto na Indústria Geral o recuo foi de 10,8%, na Construção houve retração de 9,2% e no Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, a queda foi de 11,1%, sendo o setor que mais perdeu profissionais (2,0 milhões de pessoas).