Denúncia do MPF-DF tem caráter político, diz Glenn Greenwald

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O norte-americano Glenn Greenwald, duarnte o debate da liberdade, mídia e poder na 12ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

São Paulo – O jornalista Gleen Greenwald, do site “The Intercept”, disse que a denúncia do Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) contra ele tem caráter político, afirmando que a Polícia Federal analisou o mesmo diálogo citado pelo procurador que assina a acusação e concluiu que ele não teve envolvimento na invasão de celulares de autoridades públicas.

“Glenn Greenwald não foi sequer investigado pela PF, pois não existiam contra ele os mínimos indícios de cometimento de crimes. Ainda assim, foi denunciado pelo Ministério Público Federal. Causa perplexidade que o Ministério Público Federal se preste a um papel claramente político, indo na contramão da ausência de indícios informada no inquérito da Polícia Federal”, disse o jornalista em nota.

Ontem, o MPF-DF apresentou denúncia contra Greenwald, mesmo sem o jornalista ter sido indiciado pela Polícia Federal, afirmando que um diálogo entre ele e um dos acusados de serem responsáveis pela invasão dos celulares de autoridades públicas mostra “relação próxima” entre ambos e sinais de que o americano teria orientado os hackers sobre o que fazer com arquivos de mensagens que já haviam obtido.

Na conversa, Luiz Molição, um dos acusados de pertencer ao grupo que invadiu os celulares, consulta Greenwald se deveria baixar o histórico de conversas do aplicativo Telegram de outras pessoas antes da publicação das matérias pelo “The Intercept”.

Greenwald disse ser importante Molição manter as conversas para provar que só falou com o jornalista depois de ter tido acesso ao conteúdo. “Isso é muito importante para nós como jornalistas para mostrar que nossa fonte só falou com a gente depois que ele já tinha tudo”, diz o jornalista em determinado ponto do diálogo transcrito na denúncia.

Molição insiste e volta a perguntar se deve baixar novas conversas do Telegram de autoridades públicas que já haviam tido os celulares invadidos antes.

Greenwald responde: “É difícil porque eu não posso te dar conselho, mas eu eu eu eu tenho a obrigação para proteger meu fonte e essa obrigação é uma obrigação pra mim que é muito séria, muito grave, e nós vamos fazer tudo para fazer isso, entendeu?”

Na denúncia, o procurador ressalta que Greenwald é protegido de investigações “que visem à responsabilização do jornalista … pela recepção, obtenção ou transmissão de informações publicadas em veículos de mídia” por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão de Mendes baseia-se na proteção do sigilo constitucional da fonte jornalística.

O MPF-DF também diz não ter descumprido a decisão do magistrado porque encontrou o áudio da conversa entre Greenwald e Molição num arquivo obtido durante operação de busca e apreensão relacionado à operação “spoofing”, que não tinha como alvo o jornalista.

Segundo o jornal “Folha de S.Paulo”, o ministro considera que a denúncia apresentada contra o Greenwald viola sua decisão.