Demanda é revista em baixa pela Opep com segunda onda de covid-19

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Sede da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em Viena. Foto: Divulgação/ Opep

São Paulo – A segunda onda de covid-19 que está se espalhando pela Europa e pelos Estados Unidos e reativou medidas de bloqueio em vários países deve enfraquecer ainda mais a demanda por petróleo este ano, de acordo com previsões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Em seu relatório mensal, a Opep aprofundou a projeção de queda da demanda mundial por petróleo neste ano em 300 mil barris por dia (bpd), o que agora significa uma alta de 9,8 milhões de bpd, para um total de 90,01 milhões de bpd. Na previsão anterior, a demanda total para este ano era de 90,29 milhões de bpd.

“Como os novos casos de infecção por covid-19 continuaram a aumentar durante outubro nos Estados Unidos e na Europa, forçando os governos a reintroduzir uma série de medidas restritivas, acredita-se que vários combustíveis, incluindo para transporte, sejam os responsáveis pelo impacto no futuro. As expectativas anteriores para a recuperação da demanda diminuíram e uma deterioração adicional na demanda agora é antecipada”, diz a Opep no relatório.

Para 2021, a demanda global por petróleo também foi revista em baixa de 300 mil bpd, ou que agora significa uma alta de 6,2 milhões de bpd, para 96,3 milhões de bpd.

“A revisão em baixa leva em consideração as perspectivas econômicas ajustadas ao mês anterior na região da OCDE devido aos desenvolvimentos recentes relativos às medidas contra a covid-19. Como resultado, a recuperação da demanda de petróleo será severamente prejudicada e a lentidão no transporte e na demanda de combustível industrial deverá durar até meados de2021”, afirma a Opep.

PRODUÇÃO

A projeção de produção de petróleo para os países de fora da Opep foi revista em baixa de 60 mil bpd para este ano, o que significa agora uma contração de 2,43 milhões de bpd, para 62,73 milhões de bpd. A Opep não faz estimativas sobre a sua própria oferta.

“[A revisão em baixa ocorre] devido à revisão para baixo nos Estados Unidos com a interrupções de produção no Golfo do México após dois furacões em outubro, bem como a produção abaixo do esperado na Noruega, Reino Unido e México”, diz a Opep no relatório.

Para 2021, a estimativa de produção de petróleo para os países de fora do cartel foi ajustada em alta de 60 mil bpd, o que representa uma lata de 95 milhões de bpd, para um total de 63,68 milhões de bpd.

“Os principais fatores para o crescimento da oferta são os Estados Unidos, Canadá, Brasil, Noruega, Equador, Catar, Omã e Guiana. A maior parte desse crescimento, principalmente na América do Norte, representa uma recuperação da produção a partir de 2020, ao invés de novos projetos”, afirma a Opep.

O CORTE DE OFERTA

Os membros da Opep e seus aliados, grupo conhecido como Opep+, devem se reunir no início de dezembro para reavaliar as condições do mercado e decidir se seguem com o aumento gradual de oferta previsto em acordo fechado no início do ano.

Em abril, a Opep+ concordou em realizar cortes de oferta de 9,7 milhões de barris por dia (bpd). O acordo previa que os produtores devolvessem essa oferta gradualmente, em etapas de 2,0 milhões de bpd, a cada seis meses, supondo que o pior da pandemia passaria antes do final deste ano.

No verão, o grupo avançou com o primeiro aumento na produção. Os próximos 2,0 milhões de barris por dia deveriam começar a fluir em janeiro.