Crescimento da China este ano será impulsionado por mercado interno

O presidente da China, Xi Jinping / Foto: Ministério de Relações Exteriores da China

São Paulo, 14 de abril de 2021 – O crescimento econômico da China este ano será impulsionado pelo mercado interno, e o país deve alcançar a meta de avançar 6% ou mais este ano, disse o diretor da gestora do Banco Fator e professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Gala. A declaração foi dada durante a Live CMA Mercados, transmitida hoje no YouTube e no Facebook.

“O crescimento chinês vai depender do sucesso de estratégia de estimular o mercado interno, porque como a economia mundial está se recuperando ainda do baque da pandemia – inclusive, a pandemia ainda está longe de estra resolvida – mas o fato é que a demanda por produtos chineses no mundo caiu muito, porque os países estão parados, em lockdown”, disse Gala.

Ele destacou que a economia da China não chegou a cair, apenas cresceu, menos, então existe uma capacidade ociosa. “Ela vai tentar recuperar o ritmo que tinha antes da pandemia, só que para isso ela depende da expansão do mercado interno dela, menos das exportações”, afirmou. “Minha visão é de que é perfeitamente possível” alcançar a meta.

A China foi a única grande economia do mundo a crescer no ano passado, quando a pandemia do novo coronavírus eviscerou a atividade econômica global. O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 2,3% em 2020. Os líderes da China anunciaram em março que almejam um crescimento de 6% ou mais este ano.

O anúncio foi feito pelo premiê Li Keqiang na abertura da sessão anual da legislatura, o Congresso Nacional do Povo, no Grande Salão do Povo em Pequim. A reunião também revelou um esboço do plano do 14 Plano Quinquenal da China, cobrindo de 2021 a 2025, bem como diretrizes gerais que moldariam o modelo de crescimento da China na próxima década e meia.

“Os Planos Quinquenais funcionam muito bem”, disse Gala, citando que o governo chinês consegue manejar bem os planos e tem uma capacidade de adaptá-los para as necessidades daqueles próximos cinco anos. Segundo Gala, a partir de 2005, os planos se voltam para o desenvolvimento tecnológico autônomo, para a China gerar valor agregado tecnológico continuam fazendo agora.

Gala citou que o plano “Made in China 2025” elenca veículos elétricos e energias alternativas, pro exemplo, como prioridades. “Eles que eram tidos como os grandes poluidores do mundo caminham a passos largos para ajudar produzir a tal da energia limpa”.

Segundo o economista, voltar-se ao mercado interno “é a questão chave do momento na China”, citando que o milagre chinês foi baseado na demanda externa. “A China é a fábrica do mundo”, disse, começou fabricando produtos de baixa tecnologia e agora caminha a passos largos para ser a fábrica sofisticada, junto com a Alemanha”.

Gala destacou que esta estratégia funcionou nos últimos 25 anos, com demanda forte de mercados norte-americanos e europeus, mas a situação mudou, com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, praticando “vandalismo comercial”, ameaçando, prendendo executivos de empresas como a gigante tecnológica Huawei e articulando países para boicotarem a China.

A administração do atual presidente norte-americano, Joe Biden, segue na mesma linha, na medida em que os Estados Unidos ficaram para trás na disputa tecnológica, disse Gala.

Assim, com o presidente chinês Xi Jinping passou a focar na dupla circulação, colocando como estratégia-chave “robustecer o mercado interno”, disse o economista, e desenvolver uma cadeia de produção tecnológica chinesa. Gala destacou o pacote de mais de US$ 1 trilhão anunciado pelo governo da China para desenvolver a indústria de semicondutores.

“Não tem volta pra isso, pois a escala produtiva chinesa é muito grande”, afirmou. “A meu ver a China vai acelerar esse avanço tecnológico e a consolidação do crescimento baseado no mercado interno, a partir do modelo deles, que é um modelo híbrido de Estado e mercado”, concluiu.