Na CPI, Luana Araújo elogia Queiroga e critica “tratamento” contra covid

São Paulo – A médica Luana Araújo, que foi anunciada como secretária de enfrentamento à covid do Ministério da Saúde mas foi exonerada dez dias depois, elogiou o ministro Marcelo Queiroga e reiterou que não há tratamento contra a covid-19 e que a discussão sobre este assunto equivale a um debate sobre “de qual borda da terra plana nós vamos pular”.

“Não me foi dada nenhum tipo de justificativa para a minha saída”, disse ela à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que apura erros e omissões do governo no combate à pandemia de covid-19, quando questionada sobre sua demissão.

“Quando fui convidada pelo ministro Marcelo Queiroga, vim a Brasília para entender em que condições poderia ajudar sua gestão e meu país”, disse Araújo. “Sua apresentação foi consonante aos meus valores. Aceitaria convite conquanto me fosse garantida autonomia necessária e sempre, sempre, fossem respeitadas a cientificidade e a tecnicidade.”

“Eu pleiteei autonomia, não insubordinação ou anarquia. Entendo que secretaria faz parte de estrutura e deve se aproveitar dela, mas que para atingir seus objetivos precisaria ter autonomia necessária para agir – no que fui prontamente respondida pelo ministro de forma afirmativa e concreta”, afirmou.

Ela disse que no período desde seu anúncio como secretária de enfrentamento da pandemia até o momento em que foi comunicada de que não seria formalmente empossada, foi apresentada e trabalhou como se estivesse nomeada.

“Não recebi um centavo por esses dias de trabalho, paguei do meu bolso deslocamentos de Belo Horizonte a Brasília. Fui consultora [do ministro] em vários assuntos, desde vacinação propriamente dita, no momento das gestantes, em que conversou sobre efeitos adverso, até o programa de testagem em massa”, disse Araújo.

Ela ressaltou que teve contato direto apenas com o ministro, que classificou como “proativo, competente e capaz”, e com alguns poucos secretários do Ministério da Saúde, e que percebeu poucos dias antes de sua exoneração que não seria alçada formalmente ao cargo de secretária.

“O que me foi dito é que existia um período entre a criação da secretaria e processo chamado apostilamento de cargos que deveria ser feito para que minha nomeação fosse publicada em Diário Oficial. A nomeação estava programada para uma segunda-feira. Não saiu. Ficou para terça-feira. Não saiu. Quando chegou na quarta-feira eu já tinha entendido o que tinha acontecido, que não ia funcionar. Na quarta-feira fui chamada e comunicada de que infelizmente, com pesar, minha nomeação não sairia”, afirmou.

Quando questionada se a nomeação poderia ter sido cancelada por causa de seu posicionamento contrário ao “tratamento precoce” defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, ela respondeu não saber, “mas se isso aconteceu é extremamente lamentável”.

Ela também foi questionada se deveriam se o presidente deveria ser responsabilizado por defender o uso de medicamentos ineficazes contra a covid-19, e disse que “todo mundo que diz isso [que covid pode ser tratada com medicamentos] tem responsabilidade sobre o que acontece depois”.

Assista abaixo a audiência: