CPI da covid antecipa audiência com governador do AM para dia 10

O vice-presidente da CPI da Pandemia, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL). (Foto Jefferson Rudy/Agência Senado)

São Paulo – O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que apura erros e omissões do governo no combate à pandemia de covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), antecipou de 29 de junho para 10 de junho a audiência com o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), após notícias de que ele foi alvo de uma operação policial que investiga fraudes na contratação de um hospital de campanha.

Com isso, foi adiado, sem data prevista de remarcação, o depoimento de Markinhos Show, que assessorou o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Hoje, o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) lançaram uma nova fase da operação que investiga desvios de recursos destinados ao enfrentamento da pandemia de covid-19 no Amazonas. Segundo as autoridades, há indícios de irregularidade na contratação de um hospital pelo governo amazonense.

A operação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por ter entre seus alvos o governador Wilson Lima, já denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em abril junto com outras 17 pessoas.

Segundo as investigações, há indícios de que funcionários do alto escalão da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas realizaram contratação fraudulenta de um hospital de campanha para favorecer grupo de empresários locais, sob orientação da cúpula do governo do estado.

O hospital, segundo a PF, não atende às necessidades básicas de assistência à população atingida pela pandemia de covid-19 e coloca em risco de contaminação os pacientes e os funcionários da unidade.

Verificou-se, ainda, que contratos das áreas de conservação e limpeza, lavanderia hospitalar e diagnóstico por imagem, todos os três firmados em janeiro de 2021 com o governo do Amazonas, cujos serviços são prestados em apoio ao hospital de campanha, contêm indícios de montagem e direcionamento de procedimento licitatório, prática de sobrepreço e ausência de prestação de serviços contratados.

Os mandados de busca foram cumpridos em endereços ligados a 18 pessoas (físicas e jurídicas), incluindo o governador, com o objetivo de apurar crimes da Lei de Licitações, de organização criminosa e desvios de recursos públicos.

Um dos alvos, ligado a um grupo empresarial, recebeu os agentes a tiros, mas não houve feridos, segundo o MPF.