CPFL e Enel mostram preocupação com picos de consumo de energia

Foto: Alain Schroeder/União Europeia

São Paulo – Os riscos trazidos para o sistema elétrico diante da atual crise hídrica no Brasil, como o que pode acontecer em picos de consumo e com a operação de reservatórios no limite, preocupa os presidentes da CPFL Energia, Gustavo Estrella, e da Enel Distribuição São Paulo, Max Xavier.

Em debate promovido pela Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), que contou também com representantes do governo, os empresários lembraram ainda da necessidade de medidas não só de curto prazo, mas estruturais para lidar com momentos críticos como o atual, provocado pela maior seca em 91 anos.

“O governo, através do Ministério de Minas e Energia [MME] e da Aneel, tem usado os recursos disponíveis para ter resposta de curto prazo para aumentar a oferta de energia, como a importação, mas são ações paliativas, embora necessárias e na direção correta. Efeitos de temperatura, trazendo picos de consumo podem trazer blackout, então é importante pensar em deslocamento de picos de consumo também”, disse Estrella.

Para o presidente da CPFL, o momento é extremamente crítico e exige medidas urgentes, de curto prazo, mas sem abandonar o longo prazo, destacando que o setor de energia demanda muitos investimentos.

“Na CPFL, preservamos 100% do programa de investimento, temos investido cerca de R$ 3 bilhões todos os anos, o processo de investimento é contínuo”, afirmou.

O presidente da Enel também destacou a gravidade do momento e a complexidade de operar o sistema e os reservatórios nas condições atuais. “A situação é de fato muito difícil, vamos ter que ir para o limite de reservatórios, que estão em condições bem complicadas de serem operados. A crise também não só energética, afeta a parte elétrica, exigirá habilidade muito grande”, afirmou.

Xavier ainda ressaltou a necessidade de as medidas que estão sendo tomadas pelo governo serem transmitidas com transparência para o setor e para os consumidores, afirmando que assim as distribuidoras, que estão na ponta, conseguem informar melhor também a população.

Segundo o secretário de Energia do MME, Cristiano Vieira, o governo se planejou e está tomando medidas desde outubro de 2020, comunicando o que está sendo feito.

“Não é algo que estamos enfrentando só agora, a partir de setembro do ano passado foi percebida a intensidade maior do período seco e de forma antecipada começamos a ativar as termelétricas e a importar energia. Mantivemos o parque termelétrico passível de ser ativado. Quando o período úmido terminou mais cedo também identificamos a necessidade de medidas adicionais este ano”, afirmou.

De acordo com o secretário, lições também já estão sendo aprendidas para o longo prazo, como a necessidade de deixar a matriz energética ainda renovável, mas cada vez menos dependente de hidrelétricas, além de se considerar cada vez cenários climáticos mais extremos em modelos.

“Há uma discussão entre especialistas se a tendência de ter menos chuva é o novo normal ou se estamos em vale de período crítico, mas é importante que cada vez mais vamos ter cenários mais extremos, vamos olhar mais esses cenários”, explicou.