Coronavírus piorou cenário para emergentes, diz ata do Copom

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Edifício-Sede do Banco Central do Brasil em Brasília. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central avaliou, durante a reunião deste mês, que a pandemia de coronavírus transformou rapidamente o ambiente externo para os países emergentes, passando de favorável para desafiador. Segundo a ata do Copom, as informações disponíveis já são suficientes para evidenciar que a pandemia terá efeito contracionista “extremamente significativo” sobre a atividade global.

Além disso, o Comitê do BC observa que as medidas fiscais e monetárias adotadas pelas principais economias centrais tendem a mitigar apenas uma pequena parcela desses efeitos. Como resultado, tem-se um aumento da aversão ao risco e a consequente realocação de ativos, o que provoca substancial aperto nas condições financeiras.

No âmbito da economia brasileira, o Copom avalia que a pandemia pode afetar a atividade e os cenários para a inflação em três frentes. “Primeiro, um choque de oferta, derivado da interrupção das cadeias produtivas. Segundo, um choque nos custos de produção, mensurado pela variação de preços das commodities e de importantes ativos financeiros. Terceiro, uma retração de demanda, proveniente do aumento da incerteza e das restrições impostas pela pandemia”, enumera o BC, na ata.

Na avaliação do Comitê, enquanto o primeiro efeito terá “pouca importância quantitativa”, devido à baixa interligação da economia brasileira com as cadeias de produção mundiais; o segundo efeito “provavelmente implicará forte impacto desinflacionário de curto prazo”.

Contudo, o BC observa que tal importância deve ser relativizada, devido à natureza temporária e à volatilidade dos preços das commodities em moeda local.

Por fim, o Copom avalia que o terceiro efeito, referente à retração da demanda, tende a ser “bastante significativo” no horizonte relevante para a política monetária, porque os efeitos da pandemia sobre a atividade podem ser expressivos. “Para compensar este terceiro efeito, seria necessária uma redução da taxa básica de juros superior a 0,50 ponto percentual (pp)”. No entanto, o Comitê ponderou que uma redução da Selic para menos de 3,75% poderia se tornar “contraproducente” e resultar em apertos nas condições financeiras.