Copom reitera compromisso com meta de inflação na ata

Edifício-sede do Banco Central em Brasília. (Foto: Divulgação/BC)

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom) ressaltou que ainda considera temporários os choques sobre a inflação, mas reconheceu que estes choques podem ter efeito sobre as expectativas de preço e reforçou o seu compromisso com o cumprimento da meta neste ano, segundo a ata da reunião mais recente do grupo.

“Acerca da dinâmica recente da inflação, o Comitê apontou que, apesar do diagnóstico de que os choques atuais são temporários, o modelo de metas prevalente no país considera a inflação cheia no ano-calendário”, e a expectativa do mercado é de que ela fique perto do limite de 5,25% ao fim de 2021 e próxima ao centro da meta em 2022.

O grupo também acredita que “apesar da recente aprovação de reformas importantes, que trarão benefícios no médio prazo, os riscos fiscais de curto prazo seguem elevados devido ao agravamento da pandemia, implicando um viés de alta” nas projeções de inflação.

Isso, somado a uma redução mais rápida que a esperada na ociosidade da economia, com possibilidade de “uma retomada robusta” do crescimento da atividade no segundo semestre, “na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente”, levou os membros a defenderem mais altas de juros.

“A demora na normalização das cadeias produtivas, pressionando custos de produção e inflação em setores específicos, sugere que há também um choque positivo de demanda atuando. Diversos membros também ressaltaram que as pressões inflacionárias observadas em 2021 podem contaminar as expectativas de inflação para 2022, gerando risco de uma desancoragem das expectativas no horizonte relevante de política monetária”, afirmou o Copom na ata.

PANDEMIA

O Copom disse que a pandemia de covid-19 “produziu efeitos heterogêneos sobre os setores econômicos”, mas que o auxílio financeiro oferecido pelo governo federal contribuiu para que o setor de bens operasse com baixa ociosidade.

Além disso, mesmo com a redução dos valores distribuídos à população via auxílio emergencial no final do ano passado e a extinção do programa no início de 2021, “a retomada econômica surpreendeu positivamente”, disse o Copom, avisando, porém, que os dados mais recentes “ainda não contemplam os possíveis efeitos do recente e agudo aumento no número de casos de covid-19”.

“Há bastante incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia no primeiro e segundo trimestres deste ano. Prospectivamente, o Comitê avaliou que uma possível reversão econômica devido ao agravamento da pandemia seria bem menos profunda do que a observada no ano passado, e provavelmente seria seguida por outra recuperação rápida”, afirmou.

“O Copom avalia que os dados de atividade e do mercado do trabalho formal sugerem que a ociosidade da economia como um todo se reduziu mais rapidamente que o previsto, apesar do aumento da taxa do desemprego”, acrescentou.