Copom reduz Selic em 0,25 pp, a 2,00% aa, em decisão unânime

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Comitê de Política Monetária (Copom). (Foto: Beto Nociti/BCB)

Brasília – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, pela nona vez consecutiva, em 0,25 ponto percentual (pp), para 2% ao ano (aa). A decisão, que foi unânime, ficou dentro da aposta de 20 das 23 instituições financeiras consultadas pela Agência CMA.

Esta é a nona queda seguida da Selic, com o Comitê de Política Monetária (Copom) estendendo o ciclo de cortes, iniciado em julho de 2019. A decisão, que foi unânime,

Segundo a Tendências Consultoria, o corte acontece após sinais dos membros do Copom de que ainda havia espaço para mais uma redução da taxa, mas esta deve ser a última diminuição da taxa em 2020, visto que os principais indicadores de atividade têm mostrado reação desde maio, após o pior momento observado em abril.

Antes da decisão, a Tendências estimava que deveria haver um novo ajuste gradual da Selic a partir de outubro de 2021, elevando a taxa para 3% no fim do ano que vem.

TRAJETÓRIA DA SELIC

Segundo o Copom, a conjuntura econômica ainda prescreve estímulo “extraordinariamente elevado”, mas “se houver” espaço para mais cortes na Selic, “deve ser pequeno” por causa de “questões prudenciais e de estabilidade financeira.

“Apesar de uma assimetria em seu balanço dos riscos, o Copom não antevê reduções no grau de estímulo monetário, a menos que as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estejam suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária, que atualmente inclui o ano-calendário de 2021 e, em grau menor, o de 2022. Essa intenção é condicional à manutenção do atual regime fiscal e à ancoragem das expectativas de inflação de longo prazo”.

CENÁRIO DE INFLAÇÃO

O Copom reduziu levemente a previsão para a inflação no cenário que usa parâmetros extraídos das expectativas de mercado, mas reiterou que há fatores capazes de provocar altas maiores ou menores que as esperadas no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

No cenário híbrido, que é calculado com base nas estimativas do mercado para a trajetória da taxa básica de juros e numa taxa de câmbio constante em R$ 5,20, as previsões do Copom para a inflação foram de 1,9% em 2020, 3,0% em 2021 e 3,4% em 2022.

Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2020 em 2,00% e se eleva até 3,00% em 2021 e 5,00% em 2022.

Os números significam que o Copom prevê neste ano inflação abaixo de 2,5% – o piso da meta -, distante do centro da meta de 2021, de 3,75%, e próxima do centro da meta em 2022, de 3,50%.

Na reunião anterior, ocorrida em junho, as estimativas de inflação no cenário híbrido eram de 2,0% para este ano e de 3,2% para o ano que vem, e não havia sido divulgada a previsão para 2022.

No cenário com taxa de juros constante a 2,25% e taxa de câmbio a R$ 5,20 por dólar, as projeções de inflação ficaram estáveis em 1,9% para 2020 e 3,0% para 2021, e o Copom divulgou a estimativa para 2022, de 3,7%.

BALANÇO DE RISCOS

No comunicado com a decisão sobre a Selic, o Copom reiterou que o cenário básico para a inflação continua embutindo fatores que podem resultar numa alta de preços maior ou menor que a esperada.

No lado negativo, o grupo repetiu que “o nível de ociosidade [na economia] pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado”, um risco que se intensifica “caso uma reversão mais lenta dos efeitos da pandemia prolongue o ambiente de elevada incerteza e de aumento da poupança precaucional.”

Neste trecho específico, houve mudança em relação ao comunicado de junho, quando o Copom disse que o risco de inflação abaixo do esperado seria intensificado caso a epidemia se prolongasse e provocasse “aumentos de incerteza e de poupança precaucional e, consequentemente, uma redução da demanda agregada com magnitude ou duração ainda maiores do que as estimadas.”

No lado dos riscos positivos, o Copom reiterou que “políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país de forma prolongada, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco”.

“Adicionalmente, os diversos programas de estímulo creditício e de recomposição de renda, implementados no combate à pandemia, podem fazer com que a redução da demanda agregada seja menor do que a estimada, adicionando uma assimetria ao balanço de riscos. Esse conjunto de fatores implica, potencialmente, uma trajetória para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária.”

“O Copom avalia que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, disse o comitê.