Copel deve concluir venda da Copel Telecom em julho

São Paulo – A Companhia Paranaense de Energia (Copel) destacou que os resultados de 2020 apresentados ontem não incluíram a venda da Copel Telecom, que espera concluir em julho, com o recebimento de R$ 2,4 bilhões, representando um ágio de 71%, e a repactuação do GSF (Generating Scaling Factor – fator que mede o volume de energia gerado pelas hidrelétricas), no valor bruto de R$ 1,3 bilhão.

Em 14 de janeiro, a companhia celebrou o contrato com a Bordeaux, vencedor do leilão de alienação da subsidiária. A conclusão da operação está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica e da Agência Nacional de Telecomunicações.

Em 2021, a companhia investirá R$ 1,9 bilhão, sendo R$ 1,2 bilhão em distribuição, R$ 623 milhões em geração e R$ 50 milhões em telecom. O valor, já aprovado pelo conselho de administração da companhia, é superior aos R$ 1,8 bilhão de 2020 e representa aumento em distribuição e redução em geração. A companhia tem expectativas com os leilões de energia que serão realizados pelo governo federal este ano.

As informações foram concedidas por Daniel Slaviero, diretor presidente da companhia e Adriano Rudek de Moura, diretor financeiro, em teleconferência com investidores sobre os resultados de 2020.

Os executivos destacaram a nova política de dividendos da companhia, que totalizou R$ 2,5 bilhões, a ser aprovado em assembleia, e rendimento (dividend yield) de 13%.

“Com a nova política, reforço o compromisso com previsibilidade na distribuição de dividendos da companhia”, disse Slaviero.

Em relação ao programa de formação de Units, a companhia disse que definiu a janela de conversão entre 22 de março e 20 de abril e em 60% o nível de adesão mínima do free float (todas as ações, exceto do controlador) “para que o programa faça sentido”, disse o diretor financeiro.

Em relação ao plano de migração da companhia para o Nível 2 da B3, eles disseram que a mudança não acontecerá se a companhia não chegar no preço mínimo e que ela está atrelada à realização e liquidação de oferta pública de distribuição secundária de ações ou de Units de titularidade do governo do estado do Paraná

“A oferta pelo governo do estado do Paraná deve ocorrer ao longo do semestre de 2021, mas a companhia não soube precisar em quais condições e como o BNDES pretende fazer. Seria muito saudável para governança e para o ‘tag along’ dos acionistas”, disse o presidente da companhia.

Em 2020, a maior parte do ebitda ajustado foi em geração, com R$ 930 milhões, alta de 52% em relação a 2019, seguido por distribuição, com R$ 420 milhões, 48% acima do ano anterior, R$ 61 milhões em telecom (+79%) e R$ 13 milhões em comercialização, acréscimo de R$ 22 milhões em relação ao ano anterior.

A geração eólica gerou quase R$ 360 milhões em ebitda e lucro de R$ 51 milhões, com reversão de impairment de R$ 139 milhões.

A companhia também disse estar otimista com a aprovação da lei do gás e disse que buscará a consolidação por meio de parcerias e disse que detalhará mais o tema em evento para investidores no dia 24 de março.

“A aprovação da lei do gás dá um impulso para este mercado, para a abertura e valorização dos ativos. Temos intenção em conversar com parceiros para consolidações”, comentou Slaviero.

A companhia considera o gás como uma “fonte de transição” e avalia que isso não deve impactar o seu plano de neutralidade de carbono recém aprovado, que prevê a neutralização de emissões até 2030.

DEMISSÕES

A companhia disse que demitirá 169 funcionários neste ano por meio de programa de demissão incentivada. Em 2020, cortou 6% do seu quadro de funcionários, para 6,7 mil, por meio do programa.