Conflitos políticos interno e receio com guerra comercial entre EUA e China faz Bolsa cair e dólar subir

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa acelerou perdas no fim do pregão e fechou em queda de 1,92%, aos 100.572,77 pontos, refletindo o atraso na votação da reforma da Previdência no segundo turno do Senado, as especulações sobre a saída do governo do ministro da Economia, Paulo Guedes, e os receios em relação a um acordo comercial entre China e Estados Unidos. O volume total negociado foi de cerca de R$ 13,4 bilhões, considerado fraco por alguns analistas.

Para o diretor de operações da Mirae Asset Corretora, Pablo Spyer, “ruídos diversos despertaram cautela” hoje e ajudaram o índice a acelerar perdas, com destaque para o calendário final da aprovação da reforma da Previdência e a queda das bolsas norte-americanas.

Mais cedo, o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (PSL-SP) disse acreditar que segundo turno de votação da reforma da Previdência no plenário deve acontecer dia 22 de outubro. A presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), também sinalizou que pode ocorrer algum atraso para que o governo continue a negociar com parlamentares.

Também se espalharam pelo mercado durante à tarde comentários sobre uma nota do site do jornal mineiro “Hoje em Dia”, que afirmou que Guedes deixaria o governo em fevereiro do ano que vem depois de aprovada a reforma da Previdência e que a reforma tributária estivesse encaminhada. Apesar de o Ministério da Economia negar a informação, a notícia pode ter contribuído para o aumento da cautela ao longo do pregão.

Ainda na cena doméstica, o Banco Central (BC) apresentou um projeto de lei que deve abrir caminho para a conversibilidade do real, facilitando abertura de contas em dólar, por exemplo, o que pode aumentar a demanda pela moeda e chegou a ter algum impacto nos mercados durante à tarde.

Como pano de fundo, o cenário externo também continua cheio de incertezas, com as bolsas norte-americanas fechando em leve queda depois que China estaria mais relutante em aceitar alguns pontos para fechar um acordo comercial mais abrangente com os Estados Unidos esta semana.

“Não tem nada que motive a compra de Bolsa por enquanto e o pessoal acaba vendendo, segue o receio lá fora e tem o atraso da Previdência”, disse o gerente da mesa de operações da H.Commcor, Ari Santos.

Entre as ações, as da Eletrobras (ELET3 -7,90%; ELET6 -6,61%) tiveram as maiores quedas do Ibovespa hoje depois que uma notícia do jornal “olha de S.Paulo” afirmou que o governo enterrou de vez os planos de injetar R$ 3,5 bilhões na estatal para torná-la mais atraente para investidores privados. Também tiveram fortes perdas papéis de peso para o Ibovespa, como os do Banco do Brasil (BBAS3 -3,95%).

Ao longo da semana, o economista da Guide Investimentos, Victor Beyrutti, acredita que o Ibovespa pode continuar nos níveis atuais e “sofrendo com noticiário externo”, com foco na retomada das negociações comerciais de China e Estados Unidos no dia 10 de outubro.

O dólar comercial fechou em alta de 1,13% no mercado à vista, cotado a R$ 4,1041 para venda, em sessão movimentada com notícias do exterior e domésticas, além da liquidez reduzida. Aqui, no fim da manhã, a moeda acelerou os ganhos em meio aos rumores de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, estaria se preparando para deixar o governo em fevereiro.

O analista da Correparti, Ricardo Gomes Filho, destaca a “liquidez limitada” ao longo da sessão, o que corroborou para a apreciação da moeda norte-americana. Ele reforça a ansiedade dos investidores às vésperas da reunião entre representantes do governo dos Estados Unidos e da China, na quinta-feira, com a percepção de que o país asiático esteja mais resistente a um acordo.

Aqui, o impasse de senadores em torno da divisão dos recursos do petróleo da cessão onerosa e a falta de uma data certa para a votação da reforma da Previdência em segundo turno no Senado também gerou estresse após o líder do PSL na casa, Major Olímpio, declarar que a votação poderá ficar para o dia 22, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, defendia que o trâmite fosse até 15 de outubro. “As notícias deram o contorno negativo aos mercados”, diz o analista.

Amanhã, tem o retorno da China aos negócios após o feriado de uma semana no país, além dos números do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do país asiático que podem ditar os rumos do mercado na abertura dos negócios. “Além disso, estamos às vésperas do encontro entre norte-americanos e chineses para dar continuidade às tratativas sobre a guerra comercial. Mas já se espera mais uma rodada sem acordo”, comenta o economista e CEO da Veedha Investimentos, Rodrigo Tonon.

Ele destaca que o mercado doméstico seguirá atento as notícias que envolvem a reforma da Previdência, precificando mais atrasos na votação no Senado e agora, atento aos desdobramentos em torno dos rumores de que Paulo Guedes pode deixar o governo em fevereiro. “Tudo depende dos números da China e das notícias locais e do exterior”, diz.

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