Confiança do consumidor cai ao menor nível desde junho de 2020, diz FGV

São Paulo, 26 de janeiro de 2021 – O índice de confiança do consumidor caiu 2,7 pontos em janeiro ante dezembro, para 75,8 pontos, e atingiu o menor valor desde junho de 2020, afirmou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Naquele período, estava começando a fase de recuperação das perdas sofridas nos meses anteriores decorrentes da pandemia de covid-19.

“A confiança do consumidor manteve a trajetória de queda pelo quarto mês consecutivo. O recrudescimento da pandemia e a necessidade de adoção de medidas mais restritivas por algumas cidades geram grande preocupação com os rumos da situação econômica do país e das famílias”, disse Viviane Seda Bittencourt, coordenadora das sondagens da FGV.

“Sem o suporte dos benefícios emergenciais, as famílias continuam postergando consumo e dependendo da recuperação do mercado de trabalho, que tende a ser lenta diante do cenário atual”, acrescentou. Em janeiro, pioraram tanto a avaliação dos consumidores em relação à situação atual quanto as expectativas para os próximos meses.

O Indice de Situação Atual (ISA) cedeu 1,6 ponto, para 68,1 pontos, o menor nível desde maio do ano passado, enquanto o Indice de Expectativas (IE) recuou pelo quarto mês consecutivo, em 3,5 pontos, para 82,1 pontos.

Na avaliação da situação atual, o componente que mede a percepção dos consumidores em relação à situação econômica geral caiu 1,5 ponto em janeiro ante dezembro, para 72,6 pontos, acumulando uma sequência de três quedas consecutivas

A percepção de piora da situação corrente é ainda mais evidente na satisfação com as finanças familiares, cujo indicador recuou 1,8 ponto para 64,1 pontos, menor nível desde maio de 2020 (58,8 pontos).

No caso das expectativas, o componente que mede as perspectivas sobre a economia foi o que mais contribuiu para a queda, ao recuar 5,1 pontos, para 102,3 pontos. Foi a maior queda para este componente desde abril de 2020.

Em relação às perspectivas sobre a situação financeira das famílias, após três meses de quedas consecutivas, o indicador acomodou em janeiro, ao variar apenas 0,2 ponto e passar a 87,6 pontos. Com perspectivas mais pessimistas, consumidores sinalizam também um menor ímpeto de compras, cujo indicador registrou queda de 4,8 pontos, para 58,9 pontos, menor patamar desde julho de 2020 (56 pontos).

A análise por faixas de renda mostra que houve recuo da confiança em todas as famílias exceto nas de renda até R$ 2,1 mil. Apesar disso, como o índice desta faixa de renda mais baixa havia recuado 8,7 pontos no mês anterior, continua sendo o menor entre as quatro classes de renda.