Compulsório menor mostra BC incomodado com atividade e spread

Edifício-sede do Banco Central em Brasília. (Foto: Divulgação/BC)

São Paulo – A decisão do Banco Central de reduzir a alíquota de recolhimento do compulsório bancário sobre recursos a prazo, de 31% para 25%, a partir de 16 de março, visa alcançar dois objetivos, na visão do mercado financeiro. O primeiro seria estimular a atividade econômica, por meio da liberação de recursos, mas também tem como alvo atacar o spread bancário, fomentando a competitividade no setor.

“[A medida] significa que os grandes bancos terão mais dinheiro para emprestar e também serve para dar liquidez ao banco pequeno, que pode estar com dificuldade para renovar captação, em meio à queda dos juros [básicos]”, avalia um consultor de investimentos de uma corretora local.

Para ele, parte dos R$ 49 bilhões em recursos a serem liberados na economia com a medida do BC também deve ser destinada às operações compromissadas e aos investimentos em títulos públicos. Mas, de um modo geral, essa facilitação no acesso ao crédito sinaliza que as empresas “ainda não estão com confiança para investir”.

Essa percepção explica, em parte, o ritmo ainda lento de recuperação da economia doméstica. “E o BC reduzindo o depósito compulsório é mais um indicativo de que a autoridade monetária segue incomodada com a atividade, que ainda está aquém do esperado”, pondera o operador de renda fixa da Renascença Corretora, Luís Felipe Laudísio.

COMPETITIVIDADE

Já o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, avalia que a medida é “super positiva” e atua também no pilar da competitividade do setor financeiro. “Mostra que o BC vai utilizar o máximo de instrumentos possíveis para atacar a questão do spread bancário”, diz. “Já caiu a Selic e agora caiu o compulsório, então por que o spread não cai?”, indaga.

Ele se refere à diferença entre a remuneração que o banco paga ao aplicador para captar um recurso e o quanto a instituição financeira cobra para emprestar o mesmo dinheiro. Nesse sentido, Vieira observa que, por ora, a decisão da autoridade monetária também sinaliza que o BC “esgotou as ferramentas de política monetária pura no curto prazo”, que se referem à condução da taxa Selic.