Chefes de bancos centrais nos EUA, zona do euro e Inglaterra pedem cautela com notícia sobre vacina

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Foto: Centro Nikolai Gamaleya de Epidemiologia e Microbiologia e o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF, na sigla em inglês)

São Paulo – Os chefes dos três principais bancos centrais do mundo – Estados Unidos, zona do euro e Inglaterra – celebraram as recentes notícias de avanços na descoberta de vacinas e tratamentos contra o novo coronavírus, mas alertaram que o nível de incerteza para a economia persiste já que a produção, distribuição e imunização da população ainda estão em suspenso.

“Ainda é cedo para saber como uma vacina contra a covid-19 influenciará a economia dos Estados Unidos, principalmente porque o aumento nos casos de infecção poderia enfraquecer a recente recuperação econômica”, disse o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, durante evento on-line sobre bancos promovido pelo Banco Central Europeu (BCE).

“Do nosso ponto de vista, é muito cedo para avaliar com alguma confiança [nas vacinas]”, acrescentou.

As declarações acontecem depois de os Estados Unidos registrarem um novo recorde de casos diários de covid-19, com avanço de 144 mil infecções, segundo dados da Universidade Johns Hopkins, enquanto as hospitalizações seguem aumentando e as internações em UTIs alcançaram o maior nível desde maio. O país contabilizou nas últimas 24 horas 144.133 novos casos de covid-19, depois de ter reportado 140.290 infecções no dia anterior – marcando o nono dia seguido com infecções diárias acima de 100 mil.

A mesa cautela foi adotada pela presidente do BCE, Christine Lagarde, para quem a a notícia da vacina é positiva, mas “não é hora de ser exuberante”, uma vez que resultados mais completos sobre a eficácia serão concluídos em 2021.

“Incertezas permanecem sobre logística de transporte, fabricação, número de pessoas que serão vacinadas em 2021”, disse ela, reconhecendo que a vacina reduz em algum grau o nível de incerteza atual.

Para o presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, a nptícia sobre as vacinas são encorajadoras para as pessoas, para as empresas e para a economia.

“As nossas projeções não mudam, mas a notícia de que uma vacina está próxima certamente reduz a incerteza”, disse ele, explicando que o cenário base do BoE não inclui o momento em que uma vacina estará amplamente disponível para a população.

As declarações acontece depois de, na segunda-feira, a norte-americana Pfizer e a alemã BioNTech informarem que sua candidata à vacina contra a covid-19 foi mais de 90% eficaz com base nos resultados dos testes iniciais. Na ocasião, a notícia fez os mercados de ações nos Estados Unidos e na Europa dispararem.