Cenário político segura bolsa pelo segundo dia perto do zero

São Paulo – Em um dia com volatilidade e baixa liquidez, a Bolsa encerrou o pregão pelo segundo dia consecutivo em leve alta, mudando de direção minutos antes do fechamento. As ações das empresas ligadas às commodities que puxaram praticamente todo o dia o índice para baixo. O Ibovespa fechou em de leve alta de 0,05%, aos 122,700,79 pontos.

Em Nova York, o movimento foi de recuperação das bolsas, após os dados de seguro-desemprego nos Estados Unidos [caíram em 34 mil para 444 mil na semana encerrada em 15 de maio. O mercado previa 452 mil pedidos de auxílio desemprego].

Os investidores estiveram acompanhando desde a manhã o depoimento do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia, que encerrou por voltas das 17h. O mercado também esteve atento à medida provisória (MP) aprovada pela Câmara dos Deputados da privatização da Eletrobras.

Uma fonte que não quis se identificar apontou que a Bolsa não caiu mais porque “as ações positivas do Itaú e Bradesco seguram o índice”.

Para os analistas da Ativa Investimentos, “a Bolsa vai destoando do movimento lá fora, sendo impactada pela consecutiva queda das commodities, principalmente pelo preço do minério de ferro [queda de mais de 6% na China] e do petróleo [-2,23%]”. E afirmam que o movimento é positivo, apesar da ata do Fed na véspera revelar que pode haver uma possível diminuição dos estímulos monetários.

A equipe de analistas da Terra Investimentos comenta que o mercado acionário brasileiro tem um desempenho pior que das bolsas internacionais porque “ainda é pressionado pelas baixas do petróleo e do minério de ferro impactando as cotações da Petrobras, Vale e siderúrgicas”.

As ações da mineradora Vale (VALE3) caíram 1,26%, das siderúrgicas Usiminas (USIM5) perderam 1,01%, CSN (CSNA3) desvalorizaram 0,10% e Gerdau (GGBR4) recuaram 2,73%. Os papeis da Petrobras (PETR3 e PETR4) baixaram 1,37% e 0,844%, respectivamente.

No cenário local, os investidores repercutiram a aprovação nesta madrugada da medida provisória (MP) que permite a privatização da Eletrobras. A proposta possibilita que o governo federal diminua sua participação na empresa estatal, que atualmente é de 60% e deve ser reduzida para 45%.

O texto-base seguirá para a votação dos senadores, e se não houver modificação passará para a sanção do presidente Jair Bolsonaro. Se mudar, volta para a Câmara dos Deputados. A proposta deve ser analisada no Senado até 22 de junho.

Na véspera, os papéis da Eletrobras (ELET3 e ELET6) subiram 3,42% e 4,17%, respectivamente. Na sessão de hoje, as ações ELET 3 e ELET6 caem 1,88% e 3,01%, nessa ordem.

O dólar comercial fechou em queda de 0,73% no mercado à vista, cotado a R$ 5,2760 para venda, acompanhando o exterior, onde a moeda perdeu terreno para as divisas pares e de países emergentes em correção após o estresse na véspera, influenciada pela disparada das treasuries reagindo ao tom da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Aqui, os números da arrecadação federal em abril e a aprovação da privatização da Eletrobras corroboram para a queda do dólar.

O economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, ressalta o movimento de correção técnica da moeda no mundo, além do recuo dos rendimentos das taxas futuras dos títulos do governo norte-americano (treasuries), com o vencimento de 10 anos operando a 1,62% na sessão, após se aproximar de 1,70% ontem.

Ele acrescenta que, no cenário doméstico, a aprovação do texto-base que viabiliza a privatização da Eletrobras ontem, na Câmara dos Deputados, trouxe um pouco de alívio ao câmbio. “Pesou mais em sessões anteriores, mas o fato traz alívio sim, com a leitura de que a agenda econômica do governo de Jair Bolsonaro mostra que não está tão travada quanto pareceu meses atrás”, avalia.

Ainda aqui, o resultado da arrecadação federal no mês passado com “dados fortes”, segundo Ortiz, ajudou a sustentar a queda da cotação da moeda na sessão. Segundo a Receita Federal, a arrecadação real avançou 45,22% na comparação com abril de 2020 e chegou a R$ 156,8 bilhões, descontando o efeito da inflação. Na comparação com março, a alta real foi de 13,34% e a nominal de 13,70%.

Amanhã, o destaque na agenda de indicadores fica para a prévia de maio do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade industrial e serviços dos Estados Unidos, e também da zona do euro. Ainda na Europa, tem os números preliminares do índice de preços ao consumidor neste mês.

“Os PMIs da indústria e de serviços dos Estados Unidos vão fazer preço porque podem reforçar a narrativa de que a economia norte-americana segue em recuperação”, finaliza o economista.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam em leve queda em um pregão de oscilações estreitas. Enquanto os vértices mais curtos registraram leve de alta, ajustando-se ao aperto monetário em andamento, os vencimentos mais longos puxaram para baixo, acompanhando o dólar.

Com isso, o DI para janeiro de 2022 terminou o dia com taxa de 4,990%, de 4,975% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,75%, de 6,79%; o DI para janeiro de 2025 ia a 8,23%, de 8,29% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,82%, de 8,88%, na mesma comparação.

Após três sessões seguidas de queda, os principais índices do mercado norte-americano terminaram o dia em alta, com a recuperação marcada pelo avanço das ações de tecnologia e por dados do mercado de trabalho que reforçaram a confiança dos investidores.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,55%, 34.084,15 pontos

Nasdaq Composto: +1,77%, 13.535,70 pontos

S&P 500: +1,05%, 4.159,12 pontos