Cautela externa faz Bolsa fechar em queda e dólar em alta

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São Paulo – O Ibovespa fechou em queda de 0,28%, aos 99.054,06 pontos, acompanhando o clima de cautela de Bolsas no exterior diante da demora do pacote de estímulos econômicos nos Estados Unidos e do avanço do coronavírus na Europa. No entanto, após chegar a cair mais de 1% perto da abertura do pregão, o índice mostrou uma melhora ao longo dia puxado por ações de siderúrgicas e de frigoríficos, na expectativa de balanços corporativos positivos dos setores.

Analistas ainda citam as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que pode desistir de criar um imposto nos moldes da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), sobre transações eletrônicas, o que vinha encontrando resistência no Congresso e ajudou na alta de ações de empresas que possuem comércio eletrônico. O volume total negociado foi de R$ 23,7 bilhões.

“Há um receio de a segunda onda de covid-19 na Europa ser mais forte e a ausência de estímulos nos Estados Unidos também incomoda, além disso, saíram dados de seguro-desemprego um pouco piores, isso deu uma desanimada no mercado”, disse o operador de renda variável da Commcor Corretora, Ari Santos.

Na Europa, países como a França reativaram o estado de emergência, tomando medidas mais duras em algumas cidades, já a Alemanha atingiu o maior nível de contaminações desde o começo da pandemia e Portugal voltou a decretar estado de calamidade.

Somam-se às preocupações com novos “lockdowns”, as declarações do secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, ontem que disse que é improvável que o pacote de ajuda fiscal seja aprovado antes das eleições presidenciais, em 3 de novembro. No entanto, Mnuchin disse hoje que o governo não desistiu de um pacote.

Mais cedo, ainda foram divulgados os pedidos de seguro-desemprego dos Estados Unidos, que subiram para 898 mil na última semana, acima do esperado pelo mercado, que previa 830 mil pedidos. As Bolsas norte-americanas fecharam em leve queda diante das incertezas.

Já no Brasil, investidores esperam balanços corporativos, com muitos papéis já refletindo expectativa positivas sobre seus balanços. As maiores altas do índice foram da CSN (CSNA3 5,92%), da JBS (JBSS3 4,37%) e da Usiminas (USIM5 5,86%).

O analista da Necton Corretora, Rodrigo Barreto, lembra que a CSN divulga o resultado do terceiro trimestre hoje e que analistas estão prevendo balanços mais fortes para o setor diante de preços mais altos do minério de ferro e do aço. A expectativa é que frigoríficos também devem apresentar melhores balanços, além de a controladora da JBS, a J&F, ter fechado um acordo com a justiça norte-americana por acusações de corrupção ontem.

Ainda na cena doméstica, embora também siga a incerteza sobre a situação fiscal, Guedes disse que talvez desista da ideia de criar um novo imposto, mas sem dar mais detalhes sobre seus planos. Ações de varejistas também fecharam com altas, caso da Hering (HGTX3 2,32%).

O dólar comercial fechou em alta de 0,41% no mercado à vista, cotado a R$ 5,6260 para venda, no terceiro pregão seguido de alta, em sessão de volatilidade e forte aversão ao risco no exterior em meio ao receio com o avanço da covid-19 nos principais países da Europa, o que eleva as incertezas em relação à recuperação econômica da região. Investidores também adotaram cautela visto que a aprovação de um novo pacote de estímulo fiscal nos Estados Unidos tem ficado mais distante com a aproximação das eleições presidenciais.

O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, destaca que a moeda “renovou momentos de volatilidade” ao longo da sessão, o que tem se tornado “comum” nas últimas semanas em meio às incertezas que prevalecem no mercado com o imbróglio entre democratas e republicanos em relação ao pacote de estímulo fiscal nos Estados Unidos, às vésperas das eleições presidenciais do país.

Ele destaca, porém, que na primeira parte dos negócios, com a moeda nas máximas da sessão – acima de R$ 5,64 – houve a presença “em larga escala” de exportadores no vendendo moeda. “Nesses níveis, o Banco Central tem feito leilões de venda de dólares no mercado à vista. Fato que tem sido monitorado pelos investidores, o que estabelece uma espécie de ‘teto virtual’ para o valor da moeda no mercado doméstico”, explica Gomes.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque fica para os números de setembro das vendas no varejo e da produção industrial norte-americana que, para o especialista da Portofino Investimentos, Thomás Gilbertoni, a depender do resultado, pode corroborar para a precificação dos ativos.

“O mercado vai monitorar esses números e os assuntos de sempre que é a questão do pacote fiscal norte-americano, que vai ficando mais distante, mas não se sabe se podem conseguir reverter o cenário antes das eleições. Além de acompanhar a evolução da covid-19 na Europa. Mas pode ser uma sessão de correção da moeda após as altas recentes”, diz.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram a sessão em alta acelerada, sustentando a trajetória desde a abertura do pregão. O movimento de colocação de prêmios se deu a despeito da melhora ensaiada no exterior, após os investidores iniciarem o dia mais avessos ao risco. O leilão de títulos públicos do Tesouro e o risco fiscal seguiram pressionando a curva a termo local.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 ficou com taxa de 3,31%, de 3,19% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 terminou projetando taxa de 4,69%, de 4,55% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 encerrou em 6,59%, de 6,42%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,53%, de 7,36%, na mesma comparação.

Em uma sessão marcada pela volatilidade, os principais índices do mercado de ações norte-americano fecharam em território negativo pelo terceiro dia seguido, pressionados pela combinação da incerteza que ronda o novo pacote de estímulos, pelo aumento de casos de covid-19 no mundo e por dados econômicos negativos tendo como pano de fundo a proximidade das eleições presidenciais de 3 de novembro.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: -0,07%, 28.494,20 pontos

Nasdaq Composto: -0,47%, 11.713,87 pontos

S&P 500: -0,15%, 3.483,34 pontos