Capitalização deve ocorrer dentro do prazo, diz presidente da Eletrobras

Foto Divulgação/ Eletrobras

São Paulo – A Eletrobras disse que o cronograma da capitalização da Eletrobras, a perspectiva é que ocorra até 14 de maio, sem expectativa de postergação, mas que há atos que estão fora do controle da companhia.

“Caso não seja possível, o que pode ter reflexo é ter uma volatilidade maior nos mercados que pode afetar o ambiente para fazer a oferta de ações. Acreditamos que será possível fazer a oferta em abril, no mais tardar, no início de maio”, disse o presidente da Eletrobras, Rodrigo Limp, em entrevista a jornalistas.

Limp disse que o plano de negócios da companhia considera a conclusão do processo de capitalização e que possíveis atrasos não trazem grandes impactos à expectativa de negócios da companhia.

“A prioridade é fazer a capitalização, ir ao Novo Mercado é uma segunda etapa”, disse a diretora financeira da companhia, Elvira Presta. “A volatilidade é parte do processo, sempre vamos avaliar se temos demanda para fazer a oferta.”

Segundo a executiva, as ações das coligadas historicamente foram usadas como garantia em processos judiciais e a companhia pediu a liberação desses vínculos.

Em relação à construção da usina Angra 3, a companhia aguarda a conclusão de estudos, disse Elvira Presta, diretora financeira da Eletrobras.

CRISE HÍDRICA

O presidente da Eletrobras, Rodrigo Limp, afirmou que o Brasil está em uma situação mais confortável agora do que meses atrás em relação a situação de crise hídrica.

Em teleconferência para apresentar os resultados do terceiro trimestre, o presidente da empresa de energia afirmou que as medidas tomadas pelo governo federal foram decisivas para alcançar o contexto atual.

“Estamos em uma situação mais confortável do que estávamos meses atrás. Isso é fruto das medidas do governo que permitiram maior armazenamento de água e medidas que incentivam o uso racional”, afirmou.

Ainda sobre a escassez hídrica, Rodrigo Limp disse que apesar da crise, a Eletrobras teve boa performance e bons resultados na geração de energia no terceiro trimestre.

As ações da Eletrobras estão entre as maiores quedas do dia do Ibovespa. Ontem (16), a empresa reportou um lucro líquido de R$ 965 milhões no terceiro trimestre, uma queda de 66% na comparação com o mesmo período do passado passado.

AÇÕES CAEM

Às 17h17 (horário de Brasília) as ações ordinárias (ELET3) caíam 6,30%, a R$ 32,37, e as preferenciais (ELET6) registravam queda de 6,22%, a R$ 31,95.

O bom resultado do terceiro trimestre da Eletrobras foi ofuscado pelas provisões totais da companhia, que atingiram um total de R$ 9,43 bilhões relacionadas a empréstimos compulsórios, apontam analistas.

Na avaliação da Ativa Investimentos, a Eletrobras reportou receitas superiores às expectativas em função da evolução em suprimento e fornecimento, influenciadas pelo aumento das vendas no ACL, pela variação positiva no faturamento aliada ao crescimento no consumo além do maior PLD aplicado às vendas de energia no mercado de curto prazo.

No entanto, a corretora espera uma recepção neutra por parte do mercado devido ao aumento do provisionamento no trimestre.

“Apesar do forte resultado operacional, acreditamos que a recepção dos resultados possa se dar de forma mais neutra em função do aumento do provisionamento auferido no trimestre sobretudo em função da atualização do valor envolvendo a questão dos compulsórios”, disse.

Para os analistas do BTG, é necessário entender melhor o que levou a esse aumento do empréstimo compulsório, já que é um fator relevante para o processo de privatização.