BTG Pactual muda de patamar após fusões e aquisições

São Paulo – O BTG Pactual disse que está pronto para avançar na área de varejo, com a marca BTG+ e cartão de crédito, com a consolidação do Banco Pan e a incorporação da Necton Investimentos no segundo trimestre, comprada em outubro do ano passado. E tudo isso deve continuar impactando as métricas da companhia em direção a uma mudança de patamar.

“Esperamos um crescimento maior em nossa franquia de clientes e estamos muito assertivos em trazer os clientes certos para a plataforma certa”, disse João Marcello Dantas Leite, diretor executivo financeiro da companhia, em teleconferência com investidores.

O BTG Pactual iniciou essa semana uma campanha publicitária para anunciar seu banco de varejo, que compõe a área de Wealth Management & Consumer Banking, que fechou o trimestre com R$ 295 milhões de receita, 74% acima do 1T20.

“Atraímos clientes rentáveis, que já compravam produtos na nossa plataforma”, acrescentou o diretor.

A marca Necton será mantida no portfólio do BTG. No caso da Fator Corretora, cuja aquisição foi anunciada na semana passada, a companhia comprou a carteira mas não a marca, que continuará operando de forma independente em outras áreas. A aquisição da Kawa Capital permitirá avançar no mercado norte-americano.

Com a consolidação do Banco Pan, por meio da incorporação de ações ordinárias da Caixa, caso aprovada, a companhia aumentará o total de ativos para mais de 10 vezes o seu patrimônio, que no primeiro trimestre cresceu 14% no trimestre e 40% em 12 meses, totalizando 9,2 vezes o seu patrimônio, para R$ 279,8 bilhões. Isso também permitirá aumentar a exposição com foco no varejo digital e nas classes C, D e E.

A companhia disse que a captação recorde de R$ 76 bilhões no primeiro trimestre (totalizando R$ 182 bilhões no acumulado de 12 meses), permitirá avançar sua expansão.

“Sempre vamos usar o balanço para intermediação financeira mas começamos a ser mais conservadores e agora estamos num novo patamar e essa é a tendência a partir de agora”, disse Roberto Balls Sallouti, diretor executivo.

Em relação ao pagamento de dividendos, a companhia disse que mantém a política de pagar 25% do resultado em juros sobre capital próprio (JCP) mais dividendos ou JCP, o que for maior.

DESTAQUES DO TRIMESTRE

Entre os destaques do primeiro trimestre, os executivos apontaram a uma distribuição equilibrada entre as linhas de negócios, em torno de 20%, e a alta anual de 69% em portfólio de crédito PME, para R$ 80 bilhões, e de 98% em unsecured funding, para R$ 121 bilhões e de 17% no ROAE ajustado, além das aquisições realizadas na temporada – Mosaico, Kinvo, Kawa, Fator e Banco Pan.

Por segmentos, o banco disse que 95% da receita de Investment Banking foi produzida no Brasil. A área cresceu 156% no período, em base anual, para R$ 484 milhões.

“A Atividade de fusões e aquisições está forte, mas ainda teremos resultados a consolidar nos próximos meses”, disse Dantas.

Em corporate & SME Lending, as empresas têm buscado financiamentos mais longos. As receitas da área cresceram 108% para R$ 555 milhões, sendo 57% só em Corporate Lending.

Em Sales & Trading, têm crescido sem uso de capital, o que é resultado da diversificação, receitas de juros, energia e corretagem. A receita da área foi de R$ 811 milhões, representando 29% da receita total do trimestre e um avanço de 78% em relação ao 1T20.

“O cenário externo, com investidores buscando retorno em um cenário de juros baixos favoreceu a área de Asset Management, com procura por fundos e produtos de alto rendimento, além da nossa gestão de taxas”, ressaltou o executivo.

Com isso, a companhia explicou como passou de R$ R$ 269 bilhões para R$ 450 bilhões de ativos sob gestão no primeiro trimestre.

Em investimentos e participações, a companhia atribuiu o resultado de R$ 238,4 milhões à equivalência patrimonial de Prime e Eneva, na primeira, e do Banco Pan e Too Seguros, na segunda, que teve receita de R$ 116 milhões. Os executivos disseram que não pretender desinvestir da Eneva.