BRF reverte prejuízo no 3T19 e lucro líquido soma R$ 446 milhões

Por Allan Ravagnani

São Paulo – A BRF reportou um lucro líquido de R$ 446 milhões no terceiro trimestre de 2019, revertendo prejuízo obtido um ano antes, favorecida com o aumento da exportação causada pela peste suína, pelo fator cambial e também pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, no valor de R$ 467 milhões, fruto de ação na Justiça.

A receita líquida da companhia aumentou 8,4% em base anual e somou R$ 8,459 bilhões fruto da estratégia de melhoria da rentabilidade da operação e da melhor execução comercial.

O ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado aumentou 178% no trimestre, somando 1,609 bilhão, em decorrência ainda dos ajustes operacionais da cadeia de produção, da otimização da gestão dos estoques de matérias-primas congeladas, dos desinvestimentos em regiões com baixo desempenho e de uma execução comercial com foco na recuperação da rentabilidade.

Entre os destaques da companhia no trimestre, houve a habilitação de duas unidades para exportação ao mercado chinês, sendo uma de frango e uma de suínos, ambas localizadas em Lucas do Rio Verde-MT. As plantas têm capacidade de abate diária de aproximadamente 300 mil aves e 5 mil porcos. 

BRF; Aves; Frangos

A BRF também atualizou seu guidance de alavancagem financeira líquida, que deve se situar, ao fim de 2019, em torno de 2,75 vezes na razão dívida líquida / ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado.

As despesas operacionais totais aumentaram 2,8%, impactadas negativamente por maiores gastos judiciais relacionados a processos trabalhistas no Segmento Brasil no montante de R$ 57 milhões.

PRODUÇÃO

O número total de toneladas produzidas pela companhia caiu no terceiro trimestre deste ano, somando 1,104 milhão de toneladas.

SEGMENTO BRASIL

A receita líquida do segmento brasil cresceu 6,3% no trimestre, da melhoria da rentabilidade da operação e da melhor execução comercial. Neste período, o volume comercializado totalizou 559 mil toneladas, ligeira queda de 1,7%.

O preço médio por kilo ficou em R$ 7,84.

Esse movimento foi mais acentuado no segmento in natura (-3%), em função da intensificação das vendas dessa categoria na segunda metade do ano passado como iniciativa para equalização dos estoques naquele período.

SEGMENTO INTERNACIONAL

Após a unificação das operações internacionais sob uma única vice-presidência de Mercados Internacionais, a BRF passou a apresentar as informações agregadas do Mercado Halal e de Outros Mercados Internacionais.

O volume total exportado caiu 0,9%, totalizando 478 mil toneladas, sendo 377 mil toneladas de aves, 38 mil toneladas de suínos e 64 mil toneladas de processados.

HALAL

A receita líquida do Mercado Halal totalizou R$ 2,1 bilhões no trimestre, queda de 5,2%, com os volumes em retração de 2,2%, principalmente impactados pela menor exportação ao Iraque, dada a restrição parcial desse mercado para importação dos produtos oriundos da Turquia. Essa restrição gerou excesso de oferta em alguns mercados do Golfo, o que resultou em queda de preços da ordem de 3,1%

Ainda assim, foram exportadas 275 mil toneladas de produtos para esse mercado, sendo 236 mil toneladas de aves e 38 mil toneladas de processados. O preço médio por kilo é de R$ 7,63.

ÁSIA, ÁFRICA, AMÉRICAS E EUROPA

A receita líquida para esses mercados cresceu 39,2% e totalizou R$ 1,7 bilhão, reflexo dos maiores volumes embarcados no trimestre (+5,2%), e maiores preços médios em reais (+32,3%).

De acordo com a empresa, o surto de Peste Suína Africana em diversos mercados impactou a dinâmica comercial asiática. O menor volume produzido de suínos na China refletiu em uma maior demanda por produtos importados, quase dobrando o volume embarcado pela BRF no trimestre para o país, com preços em dólares subindo 77,4%.

Em relação ao Japão e à Coréia do Sul, em decorrência de uma expectativa de oferta mais restrita, esses países começaram a se estocar, beneficiando os volumes exportados para esses destinos, acompanhado de melhores preços em dólares nessas geografias.

O volume total exportado para esses mercados somou 203 mil toneladas, sendo 140 mil toneladas de aves, 38 mil toneladas de suínos e 25 mil toneladas de processados. O preço médio por kilo chegou a R$ 8,36.

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