Brasil precisa conter dívida, mas deve gastar mais se economia piorar, diz FMI

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A diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva / Foto: Joshua Roberts/FMI

São Paulo – O Brasil precisa adotar reformas capazes de conter o endividamento do país no médio prazo “para mitigar o risco de uma dinâmica indesejável para a dívida”, mas também precisará abrir espaço no orçamento para eventuais gastos decorrentes de um agravamento da pandemia de covid-19, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI) em um relatório.

No documento conhecido como “Artigo 4”, em que o FMI avalia a situação econômica dos países que pertencem ao órgão e recomenda ações, a diretoria do Fundo elogiou o compromisso do governo na manutenção do teto de gastos considerado a “super âncora” das despesas públicas -, mas disse que o Brasil precisa estar preparado para apoiar a economia caso isto seja necessário.

“Em caso de a economia apresentar desempenho significativamente pior que o esperado, a maioria dos diretores enfatizou que as autoridades devem estar preparadas para oferecer apoio adicional e focalizado”, afirmou o FMI, que considerou positiva a disposição do governo em adotar os estímulos adicionais diante desta possibilidade. “Alguns diretores também alertaram contra uma remoção brusca do apoio fiscal”, acrescentou.

O FMI também defendeu que, num cenário menos extremo, o Brasil deve diminuir as despesas obrigatórias e deixar o orçamento público menos rígido – algo que o governo tenta fazer há mais de um ano com as propostas do Pacto Federativo -, além de fortalecer a rede de segurança social, promover a reforma tributária, alterar os sistemas previdenciários estaduais e municipais e reforçar a estrutura fiscal destas esferas da administração pública.