Brainard, do Fed, diz que mudanças climáticas afetam até taxa de juros

Por Julio Viana

São Paulo – Lael Brainard, uma das diretoras do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), afirmou que era preciso começar a pensar nas implicações econômicas decorrentes das mudanças climáticas e como a política monetária deveria atuar para diminuir esses impactos.

Lael Brainard, membro da diretoria do Federal Reserve (Divulgação/Federal Reserve)

“A política monetária serve para amortecer a economia do país contra certos fenômenos disruptivos”, disse ela. “Na medida em que as mudanças climáticas e as respostas políticas associadas afetam a produtividade e o crescimento econômico a longo prazo, pode haver implicações para o nível neutro de longo prazo da taxa de juros”, afirmou Brainard.

A diretora citou pesquisas mostrando que o aquecimento global pode afetar desde a produtividade da mão de obra até o consumo de recursos específicos.

Essas mudanças no comportamento fiscal do país poderiam transformar os padrões do índice inflacionário, por exemplo.

“Um cenário energético instável, o aumento dos prêmios de seguro e o aumento dos gastos com adaptações às mudanças climáticas […] terão implicações para a atividade econômica e a inflação”, disse ela.

Ela também citou o problema relacionado a desastres, cada vez mais comuns em meio às mudanças climáticas. Perdas inesperadas e dificuldade de acesso e produção são alguns dos resultados da atual situação.

“Se os preços das propriedades não refletirem com precisão os riscos relacionados ao clima, uma correção repentina pode resultar em perdas para as instituições financeiras, que por sua vez reduzem os empréstimos na economia”, afirmou ela.

Brainard também disse que várias instituições financeiras privadas já estão colocando em seus cálculos de risco as variáveis derivadas do aquecimento global. Segundo ela, muitas encaminharam os resultados de pesquisa para a instituição Carbon Disclosure Project (CDP).

“O CDP estima que as 500 maiores empresas por capitalização de mercado estão expostas a quase US$ 1 trilhão em risco, dos quais se espera que metade se materialize nos próximos cinco anos”, concluiu ela.

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