Brainard diz que Fed estuda dólar digital e alerta para riscos de moeda privada

A diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Lael Brainard / Foto: Divulgação/ Fed

São Paulo – Uma das diretoras do Federa Reserve (Fed), Lael Brainard, disse que o banco central norte-americano está conduzindo estudos aprofundados sobre a adoção do dólar digital. Ela, no entanto, alertou para os riscos das moedas digitais privadas.

“À luz do papel crescente do dinheiro privado digital na migração mais ampla para pagamentos digitais, o uso potencial de CBDCs [moedas digitais próprias] estrangeiras em pagamentos transfronteiriços e a importância da inclusão financeira, o Federal Reserve está intensificando sua pesquisa e envolvimento público em uma versão digital do dólar”, disse ela em texto para uma conferência da Coindesk.

Brainard afirma ainda que uma moeda digital própria ajudaria o Fed a reduzir custos e acelerar as transições financeiras ao mesmo tempo que amplia o acesso àqueles que atualmente não têm contas bancárias em instituições privadas.

Na semana passada, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse que o banco central norte-americano publicará neste verão – no hemisfério norte – um documento que explorará as implicações da tecnologia para pagamentos digitais, com um foco na possibilidade de emissão de uma moeda digital própria. O material, segundo ele, complementará a pesquisa do Federal Reserve System que já está em andamento.

O Fed não está sozinho com seu trabalho de dólar digital. Outros bancos centrais estão procurando digitalizar seu próprio dinheiro, com a China entre como pioneira, o que levanta questões sobre a continuidade do uso do dólar como moeda de reserva global.

No discurso, Brainard também alerta para os riscos que as criptomoedas representam para um sistema de pagamento que agora é estável. Ela estendeu essas preocupações às chamadas stablecoins, que pretendem ter os benefícios do dinheiro do governo.

“O dinheiro do banco central é importante para os sistemas de pagamento porque representa um ativo de liquidação seguro, permitindo que os usuários troquem passivos do banco central sem se preocupar com liquidez e risco de crédito”, disse ela.

“Existe o risco de que o uso generalizado de dinheiro privado para pagamentos de consumidores possa fragmentar partes do sistema de pagamentos dos Estados Unidos de forma a impor fardos e aumentar os custos para famílias e empresas”, acrescentou.

No texto, Brainard não fez comentários sobre a economia norte-americana ou sobre a política monetária.