Bradesco aposta em ganho de escala para compensar perdas

São Paulo – O Bradesco está apostando no ganho de escala, com crescimento de clientes vindo principalmente pelos meios digitais, para recuperar margens e tentar compensar possíveis perdas de receitas de serviços, que deve ser impactada pelo uso do Pix e Whatsapp. Na avaliação do banco, o aumento da Selic também é positivo para as margens, assim como uma possível retomada de outras linhas de crédito e operações que tiveram queda durante a pandemia de coronavírus, conforme a vacinação avança.

“A gente precisa de ganhos de escala, aumentar os clientes dentro do banco, e é o que temos tentado fazer, tivemos um crescimento de 3,5 milhões de clientes. Isso substitui a eventual perda de receita que pode ocorrer”, disse o presidente do banco, Octávio de Lazari Júnior, a jornalistas, em teleconferência de resultados.

Segundo Lazari, o uso do Pix e do aplicativo Whatsapp, que anunciou ontem o início do serviços de transferências para os seus usuários, podem pegar um pedaço da receita, mas isso já era previsto e “não preocupa”. “Vamos ver como o Whatsapp vai ser, ele pode substituir um pouco o PIX. Isso faz parte da concorrência”, afirmou.

O executivo também espera que o ganho de escala impacte na margem financeira, além de afirmar que, aos poucos, os clientes devem voltar a usar mais cartões de crédito, cheque especial e outras linhas que foram mais impactadas pela pandemia.

Porém, reitera que a uma retomada econômica, que contribua para a normalização do mix do banco, depende do avanço da vacinação. Para Lazari, há sinais positivos para a economia brasileira, mas é crucial que as pessoas se sintam protegidas.

A alta da taxa Selic, que deve ser elevada em 0,75 ponto percentual (pp) pelo Banco Central (BC) hoje, é outro fator que afeta margens positivamente.

“O aumento da Selic tem impacto imediato na margem para o mercado e também na margem de clientes, conseguimos ajustar preços. Não só por isso, mas também pela retomada econômica, porque conseguimos aumentar a oferta de crédito, lá atrás demos uma apertada por conta dos desafios da pandemia. A expectativa é muito boa de crescimento da margem”, disse Lazari em teleconferência de analistas.

PROVISÕES E INADIMPLENCIA

Além disso, o executivo afirmou que o banco está preparado para todos os cenários, inclusive no caso de uma terceira onda, preferindo ser conservador e antecipar provisões. Por já ter feito provisões, inclusive uma nova provisão no primeiro trimestre, disse ainda “que não há nenhuma perspectiva de aumento de provisões nos próximos trimestres”.

“Aqueles clientes que fizeram renegociação da sua dívida e não pagaram a primeira parcela, nós já prevemos que eles provavelmente não pagarão as próximas, então, resolvemos antecipar isso. Antecipamos a degradação e fizemos a provisão. Eventualmente, se o cliente pagar, esse recurso volta pro resultado do banco”, explicou.

Sobre a inadimplência, prevê que ela pode voltar a subir ao longo do ano, mas não deve preocupar ou ultrapassar níveis históricos. “Quando olhamos a inadimplência de 90 dias, ela deve crescer um pouco, mas no máximo voltar ao patamar que observamos em 2019, com risco de ter melhora na economia e isso segurar ela em nível mais baixo. Na pior das hipóteses, ela voltará ao nível de dezembro 2019, que era de 4,4% e estamos bem provisionados”, explicou.

O presidente do Bradesco ainda disse que a expectativa é de cumprir o guidance de 2021, apesar de no primeiro trimestre terem sido vistas algumas dificuldades para atingir algumas das metas.

A receita de prestação de serviços, por exemplo, caiu 2,6% no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado, sendo que a meta de 2021 é de alta de 1% a 5%. Já a carteira de crédito expandida cresceu 7,6% na mesma comparação, enquanto a meta para o ano prevê alta de 9% a 13%.

No caso da PDD expandida, cuja a meta para 2021 é de R$ 14 a R$ 17 bilhões, ela ficou em R$ 3,9 bilhões no primeiro trimestre e Lazari prevê a manutenção desse nível nos próximos trimestres, chegando ao centro da meta no fim do ano, entre R$ 15,5 e R$ 16 bilhões.

AGÊNCIAS

O Bradesco ainda deve continuar fazendo ajustes em suas agências. De acordo com o presidente do banco, a previsão é que ao longo de 2021, 300 a 400 agências sejam encerradas ou transformadas em unidades de negócios.