Bolsonaro repete que economia é 100% com Guedes

Por Gustavo Nicoletta

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro repetiu que as decisões econômicas tomadas pelo governo são de inteira responsabilidade do ministro da Economia, Paulo Guedes, e negou interferir nesta área.

Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro na 8ª reunião do Conselho de Governo. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

“A economia é 100% com o Guedes e não tem plano B”, disse ele durante o
Fórum Brasil Investimentos, elogiando o jornal “O Estado de S. Paulo” por ter publicado esta declaração em uma edição recente. “As críticas que sofri
no passado como estatizante foram com razão. A nossa formação militar nos leva para essa linha, mas ao conhecer Guedes ele rapidamente me convenceu [do contrário]”, acrescentou.

Bolsonaro insistiu na ideia de que não interferia nas decisões tomadas
pela equipe econômica do governo mencionando também o Banco Central (BC). “Vejo aqui o Roberto Campos [presidente do BC]. Temos projeto para dar autonomia ao BC, mas acredito que não vai sentir muita diferença porque já tem autonomia integral”, disse o presidente.

“Eu só ligo para o BC depois que ele decide o Copom. Não interfiro em
nada, ele é quem entende do assunto. É o Roberto Campos que fala 100% pelo Banco Central. Não sei se o Paulo Guedes não interfere, mas eu não interfiro em absolutamente nada”, afirmou.

Apesar do discurso de não-interferência, houve ocasiões em que as
manifestações de insatisfação do presidente levaram a alterações em
propostas econômicas.

Um dos exemplos mais notórios foi em abril, quando a Petrobras, empresa estatal, anunciou um aumento de 5,7% nos preços do diesel. Bolsonaro pediu esclarecimentos à companhia diante do risco de o reajuste provocar greve dos caminhoneiros e a Petrobras adiou a correção.

Outra situação recente foi a demissão do então secretário da Receita,
Marcos Cintra, depois de vir a público que a proposta de reforma tributária em gestação na Receita incluía um imposto semelhante à Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

“Você pode até falar em CPMF, deixar o povo discutir, o parlamento
discutir. Agora, não pode ser a proposta de governo”, disse ele em entrevista
concedida ontem à rede de televisão “Record”, ao ser questionado sobre a
demissão de Cintra.

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