Bolsonaro defende Decotelli do que considera “deslegitimação”

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O presidente da República, Jair Bolsonaro, durante a solenidade de posse dos ministros da Justiça e Segurança Pública; e da Advocacia-Geral da União no Palácio do Planalto. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro defendeu o indicado para o cargo de ministro da Educação, Carlos Decotelli, em suas redes sociais, depois de notícias apontarem que o futuro membro do gabinete apresentou informações falsas sobre suas credenciais acadêmicas.

“Desde quando anunciei o nome do Professor Decotelli para o Ministério da Educação só recebi mensagens de trabalho e honradez. Por inadequações curriculares o professor vem enfrentando todas as formas de deslegitimação para o Ministério”, disse Bolsonaro em uma mensagem publicada no Facebook.

“O Sr. Decotelli não pretende ser um problema para a sua pasta (Governo), bem como, está ciente de seu equívoco. Todos aqueles que conviveram com ele comprovam sua capacidade para construir uma Educação inclusiva e de oportunidades para todos”, acrescentou.

Decotelli havia dito ser bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), possuir MBA em administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV), ser doutor em Administração Financeira pela Universidade Nacional de Rosário (Argentina) e mestre em Administração pela FGV/EBAPE (Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas). Também tinha dito ter feito pós-doutorado na Bergische Universitãt Wuppertal (Alemanha).

Desde sua nomeação, porém, surgiram notícias de que haveria trechos de sua tese de mestrado plagiados de outros textos, e manifestações das universidades da Argentina e da Alemanha negando que Decotelli tenha concluído o doutorado e o pós-doutorado, respectivamente.

Segundo a Agência Brasil, Decotelli disse ter obtido os créditos do doutorado na Argentina, mas que não chegou a defender uma versão final da tese. A banca que analisou seu trabalho pediu “readequações” na tese, mas o ministro disse que precisou voltar ao Brasil por conta de “dificuldades financeiras” e que não retornou para apresentar o texto.

“A banca falou que a tese tinha um ponto de corte muito longo e me mandou fazer readequações. Essa foi a recomendação formal da banca. [Mas] Eu precisava voltar ao Brasil, porque toda a despesa foi pessoal, não havia bolsa.

Com dificuldade, não mais voltei. Eu fiquei com o diploma de créditos concluídos, posso apresentar a vocês”, afirmou.

Sobre o pós-doutorado na Alemanha, o ministro da Educação também argumentou que a pesquisa foi concluída, apesar de não ter sido oficialmente considerada um título de pós-doutorado.

“A pesquisa foi concluída? Foi. A estrutura da pesquisa, do pós-doutorado. Não tem sala de aula, não tem nota de uma disciplina, é uma orientação. Foi caracterizado que, quando foi concluído o trabalho, a pesquisa tinha que ser registrada em um cartório acadêmico. E você tem a pesquisa lá, registrada [no cartório]. Agora, o pós-doutorado é um título de pesquisa. Se você olhar o documento de Rosário, vai ver que os créditos foram concluídos”, disse.

A Agência Brasil disse que o ministro também negou a acusação de plágio, afirmando que pode ter havido uma “distração” nas citações bibliográficas e revisão do texto.

“Quando você escreve, tem que ter disciplina mental para escrever, revisar e mencionar o que citar. Cuidado. É possível haver distração? Sim, senhora.

Hoje, a senhora tem mecanismos para verificar, [tem] softwares. Mas naquela época, pela distração. Não houve plágio, porque o plágio é quando faz ‘Control + C, Control + V’, e não foi isso.”