Bolsa tem leve alta e dólar sobe a R$ 4,19

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Por Danielle Fonseca e Flávya Pereira

São Paulo – O Ibovespa fechou em leve alta de 0,24%, aos 116.704,21 pontos, refletindo números melhores do que o esperado do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central. No entanto, o índice perdeu força ao longo do dia e chegou a cair diante da dificuldade dos papéis do Itaú Unibanco de se firmarem no campo positivo e das maiores perdas das ações da Petrobras. O volume total negociado foi de R$ 20,3 bilhões.

Para o analista da Toro Investimentos, João Freitas, as ações do Itaú (ITUB4 0,20%) chegaram a pesar negativamente e destoaram dentro setor bancário, já que outros papéis mantiveram altas mais expressivas, como os dos Bradesco (BBDC4 1,43%). No entanto, o analista não identificou um motivo específico para a fraqueza dos papéis.

Já o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa, acredita que os bancos, em geral, já vem atrapalhando um pouco o desempenho do Ibovespa há alguns dias. “O ano não começou muito bom para os bancos, eles devem sofrer com maior concorrência com bancos digitais e juros mais baixos”, disse.

A possibilidade de juros mais baixos é discutida no mercado, com dúvidas sobre uma eventual nova queda, de 0,25 ponto percentual (pp), em fevereiro. Mais cedo, o indicador de atividade do Banco Central veio acima do esperado e reduziu maiores preocupações com os dados negativos divulgados nos últimos dias, como os de vendas no varejo ontem. No entanto, analistas apontam que o índice subiu também em função de uma base fraca de comparação, que foi revisada para baixo.

Um possível ajuste residual na Selic tornaria menos atrativo o diferencial de juros no Brasil em relação ao exterior, o que pressiona o dólar, que voltou a superar o R$ 4,20 na máxima do dia. Para um operador, o Ibovespa foi influenciado pelo dólar forte, que refletiu a “desmontagem de algumas posições”. “Ontem também teve vencimento de opções sobre Ibovespa e amanhã começa a briga entre comprados e vendidos para o vencimento de opções sobre ações na segunda-feira”, lembrou ainda o operador, destacando outro
fator de volatilidade.

Outras ações que pesaram sobre o Ibovespa foram as da Petrobras (PETR4 -0,10%), que ficaram na contramão dos preços do petróleo e, segundo Costa, vem sendo pressionadas pela venda da fatia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na estatal. As ações da Vale (VALE3 -0,52%) também mostraram maior fraqueza hoje.

As maiores baixas do Ibovespa foram da Cogna (COGN3 -2,75%) e da Rumo (RAIL3 – 2,52%), já que de acordo com os analistas do Credit Suisse, a companhia mostrou dados operacionais mais fracos do que o previsto.

Na contramão, as maiores altas do índice foram da Usiminas (USIM5 2,98%), da Hapvida (HAPV3 3,36%) e da Ecorodovias (ECOR3 2,80%).

Na agenda de indicadores de amanhã, investidores devem ficar atentos a uma série de dados da China, como a produção industrial, vendas no varejo e PIB. Já nos Estados Unidos, os números de produção industrial estão entre os que podem ajudar os negócios a definirem um rumo.

Já o dólar comercial fechou em alta de 0,21% no mercado à vista, cotado a R$ 4,1900 para venda, renovando as máximas do ano pelo segundo pregão seguido, influenciado pelo pessimismo de investidores em meio aos indicadores domésticos abaixo das projeções com a leitura de que a recuperação da economia é lenta e pode refletir em mais quedas na taxa de básica de juros (Selic).

“A continuidade da movimentação defensiva de fundos que prosseguem receosos em relação ao real ritmo de recuperação da economia doméstica, deu força ao dólar que inverteu seu sinal e passou a ganhar valor”, comenta o analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho. Na reta final dos negócios, a moeda norte-americana acelerou os ganhos renovando máximas sucessivas a R$ 4,2010 (+0,48%).

O operador de uma corretora local reforça que a moeda local tem “sofrido” nos últimos dias com a escassez de fluxo. “Além disso, as apostas de chance de mais queda na taxa Selic aumentam”, comenta.

Amanhã, logo na abertura, os mercados devem reagir aos dados da produção industrial da China, em dezembro, além do Produto Interno Bruto (PIB) do país asiático. “O mercado ficará bem atento a esses dados e devem ser os principais drivers da abertura e com impacto sobre as moedas de países emergentes”, diz o analista da Toro Investimentos, João Freitas.