Bolsa sobre e dólar cai com mercado reagindo ao andamento da reforma da Previdência

Por Eduardo Puccioni e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa encerrou as negociações de hoje com alta de 1,58% aos 96.552,03 pontos. O volume financeiro do mercado foi de aproximadamente R$ 16,4 bilhões. O índice foi influenciado pela formação da comissão especial que analisará a proposta da reforma da Previdência, e por ações que subiram pontualmente.

“O mercado gostou dos nomes apresentados para a comissão especial da Previdência. Esse foi o principal motivo de alta do Ibovespa hoje, mas também tivemos a alta da Natura, com investidores aguardando a empresa anunciar a compra de parte da Avon. Além disso, teve a alta dos frigoríficos ainda refletindo a peste nos suínos na China”, afirmou José Costa, economista-chefe da Codepe Corretora.

A ação ordinária da Natura (NATU3) encerrou a sessão com alta de 10,11%. Hoje de manhã a sul-coreana LG anunciou a compra da parte norte-americana da Avon. Rumores de mercado dão conta de que da Natura irá fechar a compra da parte da Avon no Brasil.

Já entre os frigoríficos, a ação da JBS (JBSS3) subiu 8,30%, enquanto o papel da Marfrig (MRFG3) avançou 4,37% e a BRF (BRFS3) apresentou valorização de 3,02%. A peste na carne suína na China deve fazer os frigoríficos brasileiros elevaram suas vendas para o mercado chinês, elevando o preço da ação das companhias.

“Para amanhã, se nada de muito relevante acontecer, devemos ter mais uma sessão de alta. Temos tudo para ver o Ibovespa voltar a subir aos poucos. O andamento da aprovação da Previdência vem trazendo otimismo aos investidores e isso deve ser continuado”, afirmou Costa.

O dólar comercial fechou em queda de 0,77% no mercado à vista, cotado a R$ 3,9560 para venda, depois de exibir forte estresse na abertura dos negócios operando em alta – acima do nível de R$ 4,00, chegando à máxima de R$ 4,0070 (+0,50%). Ao longo da sessão, a moeda foi perdendo força, renovando mínimas a R$ 3,9500 (-0,93%).

“Foi um movimento forte de desmonte de posições compradas no mercado futuro, por uma realização de lucros de tesourarias bancárias e de investidores. A queda também foi pela perda de força da moeda norte-americana no exterior nas primeiras horas da sessão. Esse conjunto de fatores é o que chamamos de ‘tempestade perfeita’ para grandes negócios, o levou o dólar para as mínimas”, avalia o diretor de uma corretora nacional.

Segundo analistas, o grande “driver” da disparada da moeda estrangeira no exterior foi o cenário global um pouco mais avesso ao risco, “com dados ruins de economias avançadas”, além de alguns resultados corporativos ruins nos Estados Unidos. “Além disso, o dólar tem operado em dinâmica de alta ao redor do mundo”, reforça o economista da Guide Investimentos, Victor Cândido.

As notícias em torno da tramitação da reforma da Previdência agora em comissão especial criada hoje, trouxe “melhora de humor” aos investidores locais, destaca o diretor da corretora. Além da instalação da comissão, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, nomeou os deputados Marcelo Ramos (PR-AM) e Samuel Moreira (PSDB-SP) como presidente e relator, respectivamente, do grupo que cuidará da reforma na Câmara. “A percepção foi de que os nomes e os partidos dos escolhidos agradaram o mercado”, comenta o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

Além disso, o Ministério da Economia apresentou uma nova projeção de economia se a reforma da Previdência for aprovada e implementada. A expectativa do governo é gerar economia de R$ 1,236 trilhões no período de dez anos, entre 2020 e 2029.

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